GRCS

08/03/2010

Mulheres marcham no centenário do 8 de Março

       Depois de 100 anos da alemã Clara Zetkin ter proposto, durante a 2ª Conferência Internacional das Mulheres Socialistas em Copenhague, na Dinamarca, a criação de um Dia Internacional de Luta da Mulher, o movimento feminista segue batalhando para mostrar, a cada 8 de Março, o quanto a sociedade ainda precisa avançar em relação aos direitos das mulheres

       Com reivindicações muito próximas das que colocaram as primeiras feministas socialistas, um século atrás, começa hoje a terceira ação internacional da Marcha Mundial de Mulheres. No Brasil, colocará na estrada 2 mil lutadoras, do campo e da cidade, vindas de todos os estados do país. Ação ousada, a marcha caminhará de Campinas a São Paulo parando em dez cidades e realizando atividades de formação e culturais.
       Boa parte delas já está na estrada, algumas há alguns dias já. A maioria, com certeza, nunca participou de atividade semelhante, pois nunca foi feito em nosso país um movimento urbano com esse tamanho. Tem sido um desafio, mas as marchantes estão dispostas a serem ouvidas pela sociedade. A atividade demandará compromisso e disciplina de todas as militantes, e elas se preparam não só para a caminhada, mas também para as demais atividades que realizarão nos locais por onde passarão.
       Na verdade a ação começou há mais de um ano, e está ocorrendo em 51 países, dos quatro continentes. Do planejamento e debate sobre o tipo de ação a realizar, da mobilização de ativistas até a organização em cada região, em cada estado, na batalha das finanças, na organização coletiva de bandeiras, faixas, tambores e outros símbolos das suas lutas, muitas mulheres aprofundaram a discussão sobre bem comum e serviços públicos, paz e desmilitarização, autonomia econômica e o fim da violência sexista.

Auto organização e solidariedade coletiva
      
“A 3ª Ação Internacional estará marcada aqui por um forte processo de auto-organização e trabalho coletivo”, explica a coordenação da Marcha. “As militantes estão divididas em comissões de cozinha, infra-estrutura, segurança, saúde, comunicação, formação e cultura. Acreditamos que só a partir de nossa organização e mudança da consciência do conjunto da sociedade é que conquistaremos as mudanças que sonhamos”.
       Durante os dez dias da marcha, haverá equipes para organizar a alimentação, segurança, alojamento, limpeza, comunicação, entre outros. As equipes são formadas por mulheres de todos os estados, que também revezarão nas tarefas tipo limpeza de cozinha e banheiros, distribuir água e comida, etc. Todas sabem que precisarão se envolver muito com as tarefas cotidianas da marcha, já que o movimento de mulheres é pobre. “Algum desconforto é previsível”, diz Maria Fernanda, da SOF, “mas estaremos juntas e precisaremos exercitar muitos valores como paciência, disciplina, solidariedade”.
       A Fuzarca Feminista prepara seus tambores; aqui em São Paulo, numa só oficina, elas construíram 130 novos instrumen¬tos! Eles vão se juntar aos batuques dos outros estados, compondo o que as meninas prometem ser a maior batucada feminista da história da Marcha!
       Atividades culturais e de formação acontecerão em Valinhos, Vinhedo, Louveira, Jundiaí, Cajamar, Jordanésia, Perus e Osasco. Além disso, dois atos públicos ao longo do caminho, em Várzea Paulista e em São Paulo. O livro As origens e a comemoração do Dia Internacional das Mulheres, de autoria da historiadora espanhola Ana Isabel Álvarez González, será lançado no Brasil em ato público no dia 13 de março, em Várzea Paulista. Na quinta-feira, 11, o debate em Louveira sobre trabalho feminino e autonomia terá a presença de Helena Hirata; na terça, 16, em Perus, Aleida Guevara, lutadora cubana, filha de Che Guevara participará da conversa sobre desmilitarização.
       Unidas com grupos de mulheres em todo o mundo, as marchantes também organizarão a solidariedade ao povo haitiano e homenagearão as líderes feministas daquele país que morreram no terremoto de 12 de janeiro. As delegações de todos os estados deverão recolher 10 reais de cada marchante, contribuição que será destinada as organizações de mulheres do Haiti; são elas, juntamente com outras organizações do movimento social, que reconstruirão aquele país.

Fonte: Terezinha Vicente, Ciranda

www.cntu.org.br

 

 

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