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22/03/2013

CNTU realiza seu primeiro curso de formação sindical

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A atividade aconteceu nos dias 19 e 20 de março, em Brasília, e foi uma versão piloto visando a formatação de um curso a ser realizado nas diferentes regiões do País, de acordo com a demanda das entidades ligadas à confederação.  “A ideia é que depois desse encontro inicial se faça uma mesa-redonda de avaliação”, informou o presidente da CNTU, Murilo Pinheiro, durante a abertura.  Ele salientou ainda que a proposta foi abordar a experiência a partir da prática sindical.

Na opinião do consultor sindical João Guilherme Vargas Netto, “a responsabilidade da CNTU é muito grande porque estamos tentando desenvolver uma experiência que associa qualificação do dirigente com capacidade de intervenção na sociedade”.  Segundo sua avaliação, “a preocupação ao organizar esse ciclo experimental é, com qualidade, criar e fazer um curso que leve os dirigentes à ação; a ideia não é simplesmente aprender, mas fazer”.

Nessa primeira edição, denominada “Organização, mobilização e expressão”, entraram em pauta temas essenciais da organização sindical no dia a dia e da compreensão desse universo.


 

Conjuntura positiva

As palestras foram abertas por Vargas Netto, que fez uma explanação sobre a atual conjuntura sindical brasileira. Segundo ele, as grandes características dessa realidade hoje podem ser divididas em quatro condições, duas de ordem material e duas subjetivas. As primeiras são incremento do emprego e do ganho real. “O Brasil hoje é um dos raros países do mundo em que pode haver pleno emprego. Nunca tivemos um período tão longo de ampliação da massa de trabalhadores empregados, inclusive com formalização, o que é antídoto ao subemprego”, contextualizou.  Esse quadro, ponderou, leva ao fortalecimento sindical.

Além disso, afirmou, embora o salário represente apenas 40% da renda nacional, há nove anos a remuneração da classe trabalhadora vem subindo continuamente. “A média de ganho real foi 2,5 vezes o crescimento do PIB (Produto Interno Bruto)”. Apesar de essa melhoria não ter atingido todas as camadas igualmente – os  salários da classe média cresceram menos de 1%, enquanto os mais baixos subiram 25% -  é fato que a base vem empurrando a pirâmide, acredita ele.


Soma-se a tal cenário favorável, disse Vargas Netto, a unidade entre as centrais sindicais, que tem permitido ao movimento não só defender bandeiras comuns, mas também realizar ações conjuntas.  Um exemplo foi a sétima marcha ocorrida em 6 março, quando 60 mil pessoas fizeram uma passeata em Brasília e lideranças encontraram-se com os chefes dos poderes executivo, legislativo e judiciário.  “Qual outro país do mundo oferece essa situação?”, indagou.

Por fim, num  momento em que há um choque entre o rentismo e o produtivismo, o movimento sindical alia-se a esse último, a despeito de ter reivindicações nesse campo.

A perspectiva otimista, ressaltou o consultor, está longe de ser “passivista”, já que é inerente à luta dos trabalhadores sempre reivindicar mais. “A conjuntura favorável melhora as nossas condições de intervenção, elimina a desorientação”, concluiu.

 

Construir a entidade forte


O presidente da CNTU, Murilo Pinheiro, discorreu sobre as preocupações fundamentais para que uma entidade sindical seja forte e representativa. Em primeiro lugar, lembrou, é preciso obedecer ao estatuto e ao regimento interno da entidade. “Caso seja necessário, uma assembleia da categoria pode mudar essas regras, as que estão em vigência devem ser observadas cuidadosamente”, alertou.

Ponto extremamente importante da ação sindical são as campanhas salariais e a negociação coletiva, “por meio da qual se dá a efetiva representação da categoria e a defesa de seus direitos”, afirmou.  “Como diz a música ‘todo artista tem de ir aonde o povo está’. Ou seja, temos que fazer o que a categoria deseja. É uma dificuldade fazer com que as assembleias sejam fortes, participativas, mas é preciso vencer esse desafio, compreendendo quais são os anseios.”

Para Pinheiro, é ainda essencial que haja entrosamento entre as organizações de base, que são os sindicatos, e as de grau superior, federações e confederações. “Uma só é forte se as demais forem. Assim como o sindicato precisa estar atento à base,  a confederação não pode ser voltada para si mesma”, exemplificou.

Na avaliação do presidente, é preciso ainda que as entidades tenham inserção social e discutam os temas relevantes. “Não podemos, por exemplo, deixar de participar de audiências públicas que envolvam as nossas categorias. Não podemos abrir mão da ação política, independentemente de preferências pessoais.” Por fim, ele lembrou que, além da ação sindical clássica, há um importante trabalho de oferecer benefícios aos associados.  “O movimento sindical é feito em cima de trabalho, propostas, representação e unidade”, resumiu.
 
Para a vice-presidente da CNTU, Gilda Almeida, são três as questões fundamentais para que os sindicatos se constituam em grandes defensores dos anseios dos trabalhadores: negociação coletiva, formação e comunicação.

 

Pauta essencial

A programação contou ainda com palestras sobre Justiça do Trabalho, por Claudio Santos, professor de Direito do Trabalho e sócio-diretor do escritório Alino & Roberto e Advogados; exercício jurídico no dia a dia sindical, abordando contribuição e registro sindical, por Jonas Matos e Silvia Martins, assessores jurídicos da CNTU, os interesses dos trabalhadores na pauta do Congresso Nacional e no Governo, por Antonio Augusto de Queiroz (Toninho), diretor do Diap (Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar); conjuntura econômica, por Clemente Ganz Lúcio, diretor técnico do Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos); mídia, democracia e o papel da imprensa sindical, por Altamiro Borges, presidente do Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé; e o trabalho de comunicação desenvolvido pela CNTU, abordado pela assessoria da entidade nessa área.

Serão produzidos, a partir dos conteúdos abordados no curso, um DVD com a íntegra das palestras e uma cartilha com as principais questões abordadas. Ambos os materiais ficarão disponíveis no site da CNTU e serão distribuídos às entidades ligadas à confederação.

Autor: Rita Casaro – Comunicação CNTU  Imprensa SEESP     
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