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13/05/2020

Ventiladores da Poli começam a ser produzidos em escala

Comunicação SEESP*

A Universidade de São Paulo (USP) e o Centro Tecnológico da Marinha em São Paulo (CTMSP) se preparam para iniciar a produção em escala do ventilador pulmonar emergencial Inspire, desenvolvido por uma equipe de pesquisadores da Escola Politécnica (Poli). O reitor da universidade, Vahan Agopyan, a diretora da Poli, Liedi Legi Bariani Bernucci, e os professores Raul Gonzalez Lima, Marcelo Knörich Zuffo e Dario Gramorelli visitaram, na sexta-feira (8/5), as instalações do Centro Tecnológico que estão sendo preparadas para iniciar a produção, prevista para começar nos próximos dias, ainda em fase de teste para o primeiro lote.

 

Fotos: Cecilia Bastos/USP-Imagens

Inspire foto cecilia bastos USP Imagens

"Estamos vivendo um momento único e temos uma responsabilidade muito grande, não podemos descansar quando há pessoas morrendo. Essa pandemia mostrou que há a necessidade de o País ter sua indústria, sua própria tecnologia. Não podemos ser dependentes”, afirmou o reitor Vahan Agopyan.

A previsão é que em duas semanas os primeiros aparelhos já possam ser distribuídos. Estima-se que o CTMSP produza entre 25 e 50 equipamentos por dia, e essa capacidade poderá ser ampliada caso haja necessidade. O Inspire, ventilador pulmonar emergencial de baixo custo, pode ser produzido em até duas horas, com tecnologia nacional, sendo mais barato dos que os aparelhos disponíveis no mercado.

"Ter a oportunidade de participar desse projeto é motivo de orgulho para todos nós, porque a missão da Marinha é proteger os brasileiros e esta é uma forma. Exatamente hoje, dia 8 de maio, a USP e a Marinha completam 64 anos de uma longa e produtiva parceria. Essa data é ainda mais especial neste momento crítico que estamos vivendo, diante da grave ameaça à população mundial”, afirmou o vice-almirante Noriaki Wada, diretor do CTMSP.

 

Inspire 2 foto cecilia bastos USP Imagens

 

 

A diretora da Poli, Liedi Legi Bariani Bernucci, agradeceu o apoio logístico que a Marinha tem dado, como na distribuição de 3 mil face shields — protetores faciais utilizados como equipamentos de proteção individual (EPI) – produzidos pela escola e entregues gratuitamente a hospitais públicos.


Inspire

A ideia de desenvolver um ventilador pulmonar de baixo custo (com valor aproximado de R$ 2 mil), livre de patente, de rápida produção e com insumos nacionais surgiu ainda em março. O Projeto do Ventilador Pulmonar Inspire foi criado com o objetivo de oferecer uma alternativa para suprir uma possível demanda emergencial do aparelho causada pela pandemia da Covid-19.


Desde então, uma equipe multidisciplinar de pesquisadores da Poli, coordenada pelos professores Marcelo Knörich Zuffo e Raúl Gonzalez Lima, tem trabalhado para viabilizar o Inspire.

Em abril, o projeto foi aprovado nas etapas finais de testes, realizadas com quatro pacientes do Instituto do Coração (Incor) do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP. O respirador foi aprovado em todos os modos de uso, e não houve nenhum problema com os pacientes ventilados.


O projeto também tem a participação de pesquisadores de diversas unidades da USP e outras instituições, e conta com doações de parceiros da iniciativa privada. O aparelho foi registrado com uma licença open source, que permite a qualquer pessoa ou empresa acessar o protocolo de manufatura e fabricá-lo, bastando, para tanto, obter uma autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).


Parceria gerou primeiro curso de Engenharia Naval

A parceria que agora vai contribuir para salvar vidas ante a pandemia de Covid-19 é fruto de uma rica história. Começa em 1956, quando a Marinha decidiu se associar a uma grande universidade para que suas pesquisas na área de ciência e tecnologia fossem conduzidas por uma instituição acadêmica civil. O resultado foi a criação do primeiro curso de Engenharia Naval do País, oferecido pela Poli-USP. Ao todo, já foram formados mais de 500 oficiais engenheiros para a Marinha e cerca de 2 mil civis.

As pesquisas desenvolvidas em conjunto resultaram na incorporação de inovações por parte da Marinha e de empresas que atuam no setor naval ou na região oceânica. Entre os avanços obtidos estão o desenvolvimento do primeiro computador brasileiro, o Patinho Feio, ainda no começo da década de 1970; a evolução na área de construção de reatores e segurança nuclear; o avanço em automação e controle promovido pelo desenvolvimento de inovações necessárias para as fragatas e corvetas; e o conhecimento produzido pelo Tanque de Provas Numérico (TPN) e sua estrutura de simulação.


*Com informações do Jornal da USP



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