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18/02/2020

Morre o líder sindical ferroviário Raphael Martinelli

Comunicação SEESP*

O dirigente sindical Raphael Martinelli morreu no domingo (16/2) aos 95 anos. Ele tinha câncer. Na vida sindical, a partir da década de 1950, ele chegou a presidir a Federação Nacional dos Ferroviários entre 1959 e 1961 e foi membro também do Comando Geral dos Trabalhadores (CGT). Na entidade, dialogava com o presidente João Goulart.

 

 

Raphael Martinelli internaMartinelli durante ato sindical unitário para a apresentação do relatório final do Grupo de Trabalho nº 13 da Comissão Nacional da Verdade (CNV), em 8 de dezembro de 2014, no auditório do SEESP / Foto: Beatriz Arruda

 

 

“Sempre que o presidente (Jango) precisava de alguma coisa, ele me procurava. Isso causava até um certo ciúme no meu partido, o PCB”, contou Raphael Martinelli, durante a homenagem ao centenário do ex-presidente João Goulart, em setembro do ano passado, na Assembleia Legislativa de São Paulo.

Em 1964, ano do golpe militar, entrou na lista dos primeiros 100 políticos, sindicalistas e militares cassados pelo Ato Institucional 1 (AI-1). Seu nome ocupava a trigésima sexta posição na lista. Filiado ao Partido Trabalhista Brasileiro (PTB), pelo qual foi candidato a deputado federal em 1958, militava no clandestino Partido Comunista Brasileiro (PCB).


Em 1967, ele deixou o PCB para fundar, juntamente com Carlos Marighella e Joaquim Câmara Ferreira, a Aliança Libertadora Nacional (ALN), grupo que combateu a ditadura por meio da luta armada. Foi preso pelo Destacamento de Operações de Informações (DOI), do II Exército, órgão encarregado da repressão política, onde permaneceu preso por três anos e sofreu tortura.

Nos anos 1980, com o processo de redemocratização, Martinelli participou da fundação do Partido dos Trabalhadores (PT) e da Central Única dos Trabalhadores (CUT). Passou a atuar pela preservação da memória sobre os fatos ocorridos durante a ditadura. Presidiu o Fórum dos Ex-Presos e Perseguidos Políticos do Estado de São Paulo, entidade que ajudou a fundar em 2001. Em 2009, também participou da fundação do Núcleo de Preservação da Memória Política. Seu trabalho ajudou na criação do Memorial da Resistência, museu que preserva a história daquele período do País, instalado na antiga sede do Departamento de Ordem Política e Social (DOPS), de São Paulo, na Luz. Deixou três filhos e netos.



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