GRCS

17/02/2020

Engenheira ambiental atua no terceiro setor pelo consumo consciente

 

A profissional acredita que o saber técnico dos cursos de Engenharia amplia, e muito, a utilização dessa mão de obra qualificada em diversos setores da economia.

 

Rosângela Ribeiro Gil
Oportunidades na Engenharia

 

No esforço de conhecer mais como os profissionais estão “engenheirando” pelo País, conversamos com Larissa Kuroki. Formada em 2018, ela fez Engenharia Ambiental pela Universidade Estadual Paulista (Unesp), campus Sorocaba. Durante os estudos, foi colaboradora da Rede de Educação Ambiental e professora bolsista do cursinho comunitário da universidade. Aos 25 anos de idade, ela já tem um artigo publicado sobre análise ambiental de Áreas de Preservação Permanente utilizando Sistemas de Informação Geográfica (SIG).

 

600 Larissa AkatuLarissa Kuroki aplica o que aprendeu na faculdade na ONG ambiental Akatu. Crédito: Arquivo pessoal. 

Kuroki hoje desenvolve suas atividades no terceiro setor, como contratada do Instituto Akatu, organização não governamental, criada em 2001, sem fins lucrativos que trabalha pela conscientização e mobilização da sociedade para o consumo consciente. Ela é a coordenadora da Gerência de Conteúdos e Metodologias As suas atividades estão focadas na mudança de comportamento do consumidor e são realizadas a partir de duas frentes de atuação: Educação e Comunicação. E é nesse nicho que Kuroki aplica muitos dos conhecimentos técnicos adquiridos na faculdade.

 

Mas, até chegar aqui, e ainda na faculdade, a nossa jovem sentiu dificuldades em cumprir o estágio obrigatório dos cursos de Engenharia. “As vagas geralmente requeriam todas as engenharias. O que é frustrante, porque talvez você não consegue aplicar o que está aprendendo no curso no estágio. E acabei indo estagiar numa empresa de recrutamento e seleção.” Kuroki não quis atuar já profissional formada na empresa de RH e, decidida a utilizar seu saber técnico, enviou currículos para o terceiro setor. “Foi assim que cheguei ao Akatu. Sinto que nesse trabalho aplico o que aprendi”, garante.

 

Na ONG, cujo lema é “Por um consumo consciente”, Kuroki aplica muitas disciplinas do curso de engenharia, como em gestão de resíduos, mudanças climáticas, desperdício e até na gestão de projetos. “Fazemos muita pesquisa, temos base de dados, usamos software.”

 

Satisfeita na profissão
Apesar do pouco tempo profissional, a engenheira ambiental se sente muito à vontade e feliz nas atividades atuais. Ela faz questão de mencionar que o segmento de consumidores mais conscientes e engajados, no País, é, majoritariamente, o feminino. É o que aponta pesquisa do Akatu, de 2018, “Panorama do consumo consciente no Brasil: desafios, barreiras e motivações” (clique aqui para conferir o trabalho). Consumo consciente, explica de forma breve, “não é deixar de consumir, mas consumir percebendo o que causa menor impacto ao meio ambiente. Fazendo boas escolhas e consumindo o necessário sempre”.


Consumo consciente tabelaPesquisa do Instituto Akatu mostra que mulheres têm mais engajamento no consumo consciente. 

No momento, adianta ela, a entidade está debruçada em um projeto internacional com uma instituição japonesa sobre estilo de vida com baixo carbono. “Para isso, coletamos muitos dados de consumo das pessoas, fazemos uma análise de todo o ciclo de vida de um produto para entender o quanto ele emite de gás carbônico desde a produção até o descarte. São questões que exigem o saber técnico e mais analítico para fazer tabelas, interpretar números e gráficos”, exemplifica.

 

Kuroki já está fazendo pós-graduação em gestão ambiental, porque ela quer entrar mais “na área de lidar com conflitos e ferramentas de gerenciamento de projetos”. Ela afirma que não possui nenhum projeto paralelo ou de futuro, pois está totalmente engajada nas atividades que conduz no Akatu; destaca, contudo, que o crescimento profissional e humano é inevitável quando se realiza um trabalho que se gosta e que tem uma interação tão importante com a sociedade. “Realizo pesquisas, que incluem, dentre outras análises, avaliação de ciclo de vida, elaboro cálculos para mensurar os impactos de nosso consumo, atividades do meu escopo de trabalho que vejo como as mais relacionadas com a engenharia.”

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