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04/02/2020

Greve dos petroleiros cresce e já mobiliza sete mil trabalhadores do sistema

Com agências*
 

A greve dos petroleiros contra o fechamento da fábrica de fertilizantes Araucária Nitrogenados (Fafen-PR) segue forte. A paralisação, que começou no sábado (1º/2), já mobiliza mais de sete mil trabalhadores do Sistema Petrobras. Avançou para 12 estados do País e 24 unidades do sistema Petrobras, até a tarde de segunda (3/2). A situação é tensa no edifício-sede da Petrobras, no centro do Rio de Janeiro. A diretoria da estatal recorreu à polícia para intimidar a manifestação em apoio aos trabalhadores, que ocupa desde a última sexta-feira (31) uma sala do edifício com objetivo de denunciar o descumprimento do acordo coletivo por parte da Petrobras. Segundo a Federação Única dos Petroleiros (FUP), as bases de Amazonas, Rio Grande do Norte, Ceará, Pernambuco, Bahia, Espírito Santo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul aderiram ao movimento.

 

 Foto: FUP

predio ocupado greve petroleiros internaPetroleiros ocupam desde a última sexta-feira (31/1) sala da empresa para pressionar negociação pelo descumprimento do acordo coletivo por parte da Petrobrás.

 

 

Com a desativação da unidade no Paraná, que emprega em torno de 600 trabalhadores terceirizados, além dos 396 diretos, cerca de mil postos de trabalho serão extintos.

Ao longo do dia a categoria realiza atos e acampamentos em diversas unidades da Petrobras e também na sede administrativa da empresa, no Rio de Janeiro.


A Agência Sindical falou com Gerson Luiz Castellano, secretário de comunicação da Federação Única dos Petroleiros e diretor do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias Petroquímicas do Paraná (Sindiquímica-PR). Ele conta que as demissões desrespeitam o Acordo Coletivo de Trabalho da categoria e foram feitas de forma unilateral. “Não houve qualquer negociação com o Sindicato, pra discutir o destino dos funcionários. A categoria tomou conhecimento da situação pela imprensa. Só então, fomos formalmente comunicados sobre o fato”, afirma.

Outro ponto que levou à paralisação foi a mudança, por parte da Petrobras, da tabela de turnos ininterruptos dos trabalhadores com revezamento, em todo o sistema, sem que houvesse discussão com os Sindicatos. Segundo Castellano, a determinação da empresa vai causar prejuízos na rotina dos petroleiros que trabalham no sistema de turnos e que planejam sua vida com base nessa tabela. “Eles sabem quando vão trabalhar, quando vão folgar e criam sua rotina de vida com base nessa tabela”, ele explica.


Na noite do sábado passado, a Justiça concedeu decisão favorável aos petroleiros que ocupam o prédio da sede da Petrobras no Rio de Janeiro (Edise). Para forçar os trabalhadores a saírem do prédio, a empresa cortou a água e a energia elétrica do local, e não estava permitindo que os alimentos chegassem aos sindicalistas. No entanto, a juíza do trabalho Rosane Ribeiro Catrib determinou que a empresa suspendesse o corte e impôs uma multa de R$ 100 mil por hora em caso de descumprimento da ordem.

Após pressão dos sindicatos, movimentos sociais e parlamentares, Petrobrás liberou comida e água mineral para os cinco diretores da FUP que integram a Comissão Permanente de Negociação, que está desde a útima sexta-feira, 31/01, na sede da empresa, buscando interlocução com a gestão.

 
Como a energia e a luz só foram restabelecidas por volta das 9 horas de domingo (2), calcula-se que a empresa tenha que pagar mais de R$ 1 milhão em multa.

Membro da ocupação e diretor da FUP, Tadeu Porto garante que, mesmo diante das medidas para inviabilizar a ocupação, os trabalhadores permanecerão no local até terem suas reivindicações atendidas. “Estamos preparados pra ficar até o fim”, ele afirma.


*Agência Sindical, Rede Brasil Atual e FUP


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