GRCS

31/01/2020

A engenharia, a tecnologia e a era digital

Protagonismo da engenharia na indústria 4.0 e TICs tende a ser crescente

Rosângela Ribeiro Gil
Oportunidades na Engenharia

A engenharia e a tecnologia são indissociáveis. A observação é do professor da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli-USP), Marcelo Zuffo, que explica: “O engenho nada mais é que o artefato tecnológico em sua realização física abstrata. O engenheiro faz uso intensivo da matemática, física, química e de outras ciências básicas para a resolução de problemas complexos do ambiente social, que, muitas vezes, exigem o desenvolvimento de tecnologia, que significa conhecimento aplicado.” Ele exemplifica recorrendo ao cientista, matemático, engenheiro, inventor, anatomista, pintor, escultor, arquiteto, botânico, poeta e músico, o italiano Leonardo Da Vinci (1452-1519): “Os engenhos projetados por ele, muitos deles criativos e inventivos, são também tecnologias geradas.”

600 Marcelo ZuffoMarcelo Zuffo acredita na ascensão da engenharia junto com as tecnologias digitalizadas. Crédito: Beatriz Arruda.


No momento da digitalização crescente, Zuffo insere, com forte protagonismo, a engenharia mais uma vez. Ele lembra que o seu pai e também professor João Antônio Zuffo, em 1991, já dizia que se tratava de uma nova era, “porque os computadores estão sendo usados extensivamente em todos os campos do conhecimento humano”. Acredita-se, informa ele, que, hoje, deve ter algo em torno de 100 computadores para cada humano. “Estamos falando de aproximadamente de 7,5 bilhões de pessoas e 800 bilhões de computadores.”

A principal tendência na área da tecnologia da informação e comunicação (TIC), segundo ele, é a internet das coisas (IoT) e a indústria 4.0, “mas algumas pessoas acreditam que brevemente vamos entrar no movimento 5.0, onde haverá uma relação mais íntima entre o ser humano e a máquina, imagina-se no contexto do 5G. Esse movimento já está começando no Japão”. Essa realidade vai criar uma demanda cada vez maior por engenheiros, prevê Zuffo, desde o campo da tecnologia básica até o campo da aplicação. “Há um consenso que essa profissão será uma das poucas, no futuro, que não será substituída pela máquina. Ou seja, as máquinas permitirão fortalecer ainda mais a engenharia.”

Todavia, ressalva, isso coloca um grande desafio ao ensino da área como preparar devidamente as novas gerações. “Como fazê-las entender o uso dessas tecnologias e imaginar essa sociedade que está por vir. Porque quem tem projetado toda essa área de TIC é a engenheira, e eu me incluo nisso.”

Ele conclui: “Acreditamos que, depois do 4.0 quando as máquinas ficam mais inteligentes, no 5.0 as máquinas ficarão mais ‘humanas’ no sentido de que outras dimensões da inteligência artificial, como por exemplo, a efetiva, que é uma peculiaridade humana, serão desenvolvidas.”

 

Indicação de leitura
* A batalha pelo emprego - Jornal do Engenheiro

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