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25/10/2019

Inspeção de pontes, elevação de carga e respostas a emergências em pauta

 

Rita Casaro – Comunicação SEESP

 

Os temas foram tratados no segundo evento da série programada sobre “Engenharia de Manutenção”, realizado na quinta-feira (24/10), em Campinas, no Centro Universitário UniMetrocamp. A discussão, que integra o projeto “Cresce Brasil + Engenharia + Desenvolvimento”, já aconteceu em Bauru e está prevista em Ribeirão Preto, (29/10), Manaus (31/10) e Taubaté (5/11). 

 

Campinas02 siteMurilo Pinheiro (ao microfone) defende Secretaria de Engenharia de Manutenção. Foto Joyce Marcon


À abertura do seminário, tiveram destaque a relevância e a urgência da questão. Conforme o presidente da Delegacia Sindical do SEESP em Campinas, Antonio Areias Ferreira, a ideia é alertar a sociedade e sensibilizar órgãos públicos quanto à importância da manutenção para segurança da população. “Também esperamos que a engenharia predomine neste País”, disse.


A pró-reitora de Graduação da UniMetrocamp, Gisele Braga Pinheiro, saudou a iniciativa, de grande “importância não só para engenharia,  mas para toda a sociedade”. Na mesma linha, o coordenador da Faculdade de Engenharia Civil da instituição, Paulo Roberto dos Santos, afirmou ser a discussão promovida fundamental, tendo em vista eventos recentes marcantes que demonstraram falhas graves.  


Evitar que tais episódios se repitam, pontuou o presidente do SEESP e da Federação Nacional dos Engenheiros (FNE), Murilo Pinheiro, é o objetivo da proposta feita pelas entidades de criação de secretarias de Engenharia de Manutenção nas administrações municipais, estaduais e federal. A ideia é que exista um órgão, com dotação orçamentária e quadro técnico qualificado, que seja responsável por “garantir fiscalização e conservação, da grama ao guard rail’.


O debate proposto, para o presidente Nacional da Mútua – Caixa de Assistência dos Profissionais do Crea, Paulo Guimarães, é um chamado à reflexão sobre o que é necessário fazer. Nesse rumo, avalia ele, é indispensável que haja atuação coesa do setor da engenharia. “Envolvendo as instituições de ensino, temos que buscar a unidade da engenharia, das entidades, do Sistema Confea/Crea”, afirmou.


Também participou da abertura do seminário o presidente da Associação dos Engenheiros e Arquitetos de Campinas (Aeac), Paulo Sérgio Saran.


Para não desabar

Dando início às palestras técnicas, Ciro José R. V. Araujo, chefe da Seção de Engenharia de Estruturas do Instituto de Pesquisas Tecnológicas do Estado de São Paulo (IPT), discorreu sobre a NBR 9.452/2016, norma que estabelece regras e orientações para inspeções de pontes e viadutos. Essas são de quatro modalidades: cadastral, importante para que haja o histórico da estrutura; rotineira, que avalia o estado de conservação e pode ser feita a distância, com uso de binóculos, por exemplo; especial, necessariamente executada no local, com ensaios de laboratórios, normalmente a cada cinco anos – o prazo pode ser estendido para oito caso a avaliação nas verificações rotineiras seja positiva; e, por fim, a extraordinária, que se dá quando ocorre um episódio que possa gerar danos, como incêndio ou colisão.

 

 Campinas01 siteCiro Araujo fala sobre inspeção de pontes e viadutos, o que pode evitar acidentes. Foto Rita Casaro


Nessas inspeções, salientou Araujo, são verificados os parâmetros estrutural, funcional e de durabilidade. Durante o trabalho, é essencial que tomem os cuidados necessários à segurança do profissional e que se utilizem os equipamentos de aferição adequados.


Entre os itens nas quais as anomalias possivelmente são encontradas, informou o engenheiro, estão sistema de drenagem, condição dos pavimentos, guarda-roda e guarda-corpo, oxidação de vigas.


Na visão do especialista, seria positivo que fossem projetados acessos que facilitassem as condições da inspeção, inclusive da rotineira, que assim poderia ser feita no local, assegurando maior confiabilidade ao seu resultado. Como exemplo, ele sugere a instalação nas estruturas de passarelas metálicas, de baixo custo.


Carga pesada

Alexandre Nakashato, gerente da Crosby Gunnebo do Brasil, falou sobre segurança nas atividades de elevação de carga, cujos aspectos essenciais são, conforme ele, conhecimento, planejamento e disponibilidade de recursos adequados. Nesse sentido, avaliou, o treinamento tem papel central para preparar e conscientizar profissionais responsáveis por executar a tarefa. O objetivo, resumiu, é propiciar segurança que também se traduz em economia para os empreendimentos.

 

Campinas03 siteAlexandre Nakashato: treinamento é essencial na atividade de elevação de carga. Foto: Joyce Marcon


No arcabouço de informações sobre o tema, Nakashato citou as diversas Normas Regulamentadoras (NRs), que versam sobre a atividade e devem ser seguidas. Conforme ele, para dirimir dúvidas quanto à sobreposição entre elas e estabelecer a correta complementação, deve ser obedecida a Portaria SIT 787/2018.


Para desenhar um plano básico de içamento, explicou, é essencial calcular o peso e determinar o centro da carga, para evitar o risco de acidentes. Item importante no trabalho, asseverou, é a inspeção do equipamento a ser utilizado sempre antes do uso, assim como a observação dos critérios para determinar quando acessórios devem ser retirados de serviço.

 

>>>Confira aqui a apresentação


Engenharia e comportamento

Sob o mote “velhas perguntas e novas resposta para controle de emergência”, Rodrigo Thadeu de Araújo, diretor técnico da RTC Gestão de Riscos e Treinamentos, defendeu a utilização da engenharia e recursos tecnológicos, como a fluidodinâmica computacional e a modelagem matemática não só para criar condições mais seguras, mas também para alterar comportamentos.

 

Campinas04 siteRodrigo de Araújo: tecnologia para conscientizar sobre segurança. Foto: Joyce Marcon


Conforme ele, questão essencial é conseguir conscientizar as pessoas quanto a riscos invisíveis, como gases. Assim, lança-se mão de ferramentas que permitam ao trabalhador que executará uma tarefa em ambiente confinado ou ao responsável pela atividade, vislumbrar, por exemplo, a quantidade de metano num ambiente sem ventilação. “A possibilidade de demonstração por recursos digitais pode persuadir as pessoas”, ressaltou.


Para Araújo, esse aspecto é fundamental, tendo em vista uma “cultura subdesenvolvida com relação à segurança”, existente no Brasil. Entre as falhas, ele citou o chamado “viés de normalidade”, observado, entre outras situações, quando as pessoas ouvem um alarme de incêndio, mas presumem que se trata de mera falha do equipamento e, portanto, não se retiram do local.

 

Entre os participantes da atividade, os vice-presidentes do SEESP, Celso Atienza e João Paulo Dutra, os diretores Gley Rosa, Victor Vasconcelos, Jorge Joel Faria de Souza, Antonio Augusto Kalvan e Fernando Palmezan Neto, esse útlimo também coordenador do projeto "Cresce Brasil". O evento contou ainda com os dirigentes da entidade na Delegacia em Campinas, Celso Rodrigues, Di Stefano Mariano, Geraldo Passarini Júnior e Luiz Carlos de Souza.  


Realizado pelo SEESP, por intermédio de sua Delegacia Sindical em Campinas e em parceria com a Campanha Nacional de Prevenção de Acidentes do Trabalho (Canpat), o evento contou com o patrocínio da Mútua – Caixa de Assistência dos Profissionais do Crea, RTC e Crosby/Gunnebo do Brasil. Além do apoio institucional do Governo Federal, UniMetrocamp e FNE, entre outros.

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