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22/04/2019

Debate reforça importância do protagonismo da engenharia no País

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Jéssica Silva
Comunicação SEESP

 

O seminário realizado pelo SEESP, em 16/4, que abordou a situação de pontes e viadutos, barragens e a conservação das cidades, teve como encerramento das atividades a mesa de debate coordenada pelo diretor do sindicato Fernando Palmezan Neto.

 

Na visão do engenheiro Renato Becker, diretor do SEESP, os conteúdos apresentados sobre os temas em questão serviram como uma formação aos participantes. Ele externou que, a partir do que foi discutido, ficou claro que a engenharia precisa atuar diretamente para incluir a manutenção periódica em ações das esferas públicas e privadas. “Vimos que, no caso do viaduto (na Marginal Pinheiros, que cedeu em 2018), se houvesse manutenção adequada, os gastos seriam menores.”

 

Questionado sobre o antagonismo entre os procedimentos de fiscalização e a complexidade das construções de barragens, o professor de Engenharia Geotécnica da Universidade Presbiteriana Mackenzie, Paulo Afonso, afirmou que a comunidade geotécnica está mobilizada para mudar o protocolo de verificação de segurança dessas construções, que “não está sendo suficiente”.

 

Uma das propostas, conforme destacou, é de que a empresa dona da obra seja a principal responsável pelo empreendimento. “Do jeito que é feito hoje, essa responsabilidade é compartilhada, é jogada muito mais para quem faz o laudo de estabilidade”, explicou.

 

 

Foto: Beatriz Arruda
Murilo encerramentoSeminário 160419
Murilo Pinheiro (no púlpito) ao encerramento do seminário do SEESP. 

 

 

Maurício Marcelli, diretor-presidente da empresa de perícia técnica Critério Experts, alertou para as falhas e burocracia envolvidas nos procedimentos de interdição de obras. E opinou: “É responsabilidade de qualquer engenheiro, constatando que uma edificação está em risco, lavrar um auto de interdição. Se vai ser cumprido ou não é outra questão”. Segundo ele, tem que existir vontade política e estruturação para a efetiva conservação de edificações e da cidade.

 

Nesse sentido, o assessor do SEESP, Carlos Hannickel, destacou a falta de valorização dos profissionais da engenharia, em especial os servidores municipais. “Em São Paulo, são em torno de 500 engenheiros para a cidade (...)  Se esses servidores, que são essenciais, interditam uma obra, podem sofrer ações populares e a Prefeitura sequer coloca a procuradoria do município para defendê-los”, exemplificou.

 

Problema mundial

Os pontos levantados sobre a manutenção de pontes e viadutos, a fiscalização de barragens e a conservação das cidades levam a problemas estruturais de processos que objetivam o resultado imediato, eliminando uma visão de longo prazo, de durabilidade, conforme concluíram os especialistas.

 

Tal problema, na análise de Artur Araújo, consultor do projeto Cresce Brasil +Engenharia +Desenvolvimento, iniciativa da Federação Nacional dos Engenheiros (FNE) que tem a adesão do SEESP, acontece em todo o mundo, como aponta em artigo publicado no site do sindicato em 8 de abril.

 

Segundo Araújo, duas ideias vêm ganhando força em gestões públicas e privadas. Na pública, os cortes exorbitantes de custos. “Geralmente se preserva uma margem de investimento para obra nova, e a manutenção cai nas rubricas de custeio de governos do mundo inteiro”, afirmou. E prosseguiu: “É a lógica do Estado mínimo, e isso tem um preço (...). Desmonta-se o custeio, depois, a estrutura de engenheiros que faziam isso e se marcha para o colapso.” Para ele, esse processo deve ser revertido pela avaliação de custo e benefício: “Quanto custou a ponte caída da Marginal em termos de caos urbano? (...). É mais barato manter.”

 

Na gestão privada, a mesma ideia de corte com custos foi inserida “para mostrar lucro aos acionistas”. “É a lógica do lucro trimestral. E onde que se tem o primeiro corte? Na manutenção”, ensinou. Na visão do especialista, essa lógica é ruim para as empresas. “Quanto custou para a Vale, em termos de imagem, Mariana e Brumadinho? Com certeza muito mais do que uma economia em manutenção”, afirmou. E concluiu: “Temos que trazer essa discussão do que realmente custa mais, seja na empresa privada ou no setor público, porém com engenheiros. Sem equipes técnicas tudo isso é abstrato.”

 

Ao encerrar as atividades da mesa, o presidente do SEESP, Murilo Pinheiro, informou que, a partir do seminário, será elaborado um documento com propostas a ser entregue aos governos municipais, estaduais e federal. “Temos que valorizar a engenharia, buscar o protagonismo, participar efetivamente e lembrar que há engenharia em tudo. Podemos fazer da nossa engenharia unida uma resposta para o Brasil e para todos nós, cidadãos brasileiros”, declarou.

 

 

 

 

 

 

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