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11/02/2019

“Quanto mais se qualifica mais se quer aprender”, diz engenheira

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Rosângela Ribeiro Gil

Oportunidades na Engenharia

 

Aos 25 anos de idade, em 1998, o Brasil contava com mais uma engenheira química. Alessandra Costa Vilaça se graduou pela Universidade Federal de Uberlândia (UFU). Sua decisão pela profissão, todavia, aconteceu ainda na adolescência, quando tinha 15 anos. “As disciplinas de matemática, química e física eram minhas preferidas (na escola) e consultei o Guia do Estudante (da época) sobre profissões na área de exatas. Quando li sobre a Engenharia Química meus olhos brilharam na mesma hora. Naquele momento eu decidia o meu futuro profissional”, lembra.

 

Foto: Arquivo pessoal
600 Alessandra VilaçaAlessandra integra grupo de Pesquisa em Bebidas Destiladas e Fermentadas.

 Depois de 21 anos de formada, Alessandra prossegue nos estudos próprios e no ensino de outras pessoas na área de engenharia, como professora efetiva da Universidade Federal de São João Del Rei (UFSJ), no Departamento de Química, Biotecnologia e Engenharia de Bioprocessos, no Campus Alto Paraopeba (CAP), em Ouro Branco (MG).

 

Como foi entrar no mercado já formada?

Cursando a universidade, quando havia visitas técnicas em indústrias, já percebia que havia uma discriminação em ter uma mulher engenheira no comando na área de processos. Mesmo com o passar dos anos e toda a conquista adquirida pelas mulheres na área tecnológica ainda continua uma restrição na contratação para cargos que possam atuar diretamente no processo industrial e para cargos de liderança. Mas a mulher está conquistando e provando sua competência na profissão.

 

Como é ser professora na área?

Atuo nas áreas de Fenômenos de Transferência de Calor e Fenômenos de Transferência de Massa. Sou integrante do grupo de Pesquisa em Bebidas Destiladas e Fermentadas, atuo como coordenadora e pesquisadora nos diferentes processos tecnológicos de produção e no controle de qualidade (físico-químico e microbiológico) e análise sensorial de cerveja especial. Também sou sócia da Tecdef Soluções Biotecnológicas Ltda., empresa incubada na Indetec (Incubadora de Desenvolvimento Tecnológico e Setores Tradicionais do Campo das Vertentes) da UFSJ, da área de desenvolvimento, formulação e validação de cervejas especiais.

 

A qualificação de um engenheiro se encerra na graduação?

Independente de atuar como docente, acredito que toda área profissional deve sempre buscar o aprimoramento para acompanhar as inovações tecnológicas e colocar no mercado profissionais altamente qualificados. Fiz especialização em Educação a Distância pela Universidade de Uberaba (Uniube), mestrado em Engenharia Química na UFU. Atualmente faço doutorado na UFMG.

 

Como é o profissional de engenharia em 2019?

O mercado exige um profissional inovador, que busca estender sua visão além da capacitação e conhecimento técnico. Precisa ter competência emocional para saber lidar com as pessoas e o mundo. Como falei, todas essas características devem começar a ser desenvolvidas já na graduação. A faculdade deve oferecer a oportunidade de trabalhar competências e habilidades além do contexto teórico. Para isso, o futuro engenheiro deverá descobrir qual a sua habilidade específica e buscar trabalhá-la de modo que se sinta motivado a buscar mais conhecimento. A motivação é que faz encarar todos os dias de trabalho com disposição para superar os desafios que não são poucos. Fazer pós-graduação lato sensu ou stricto sensu é um grande diferencial no mercado.

 

Fale mais de habilidades e competências nessa área. 

Além do conhecimento técnico-científico, falar no mínimo uma língua estrangeira – de preferência a inglesa. Profissionais que possam se comunicar claramente, que saibam trabalhar em equipe com liderança e respeito, humildade, proatividade e capacidade de empreender.

 

Hoje se fala muito em empreendedorismo, inovação, tecnologia, startup.

O empreendedorismo é o “motor” da inovação. A educação e a formação de recursos humanos e o desenvolvimento da ciência e tecnologia são fundamentais para contribuir à riqueza e ao desenvolvimento de um país. As startups têm sido uma alternativa para alavancar a relação entre profissionais e empresas. Para se inserir neste cenário, além das habilidades citadas, é necessário buscar programas de incentivo à criação de startups oferecidos no Brasil e até em outros países.

 

Qual conselho você daria para os estudantes de engenharia do Brasil todo?

O mercado de trabalho é ditado pela demanda, a qual se adéqua à situação social e política do País. Mas, independente disso, busquem aperfeiçoar a sua qualificação profissional. Uma dica: quanto mais se qualifica mais se quer aprender. O mercado possui uma demanda crescente. Mesmo com o grande número de engenheiros atuando no Brasil, ainda faltam engenheiros qualificados. Não pare nunca! Corra atrás de sua qualificação e acredite no seu potencial. O seu sonho aliado a sua competência serão capazes de surpreender o mundo. O conselho que dou para quem estar cursando engenharia é: seja diferente.

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