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05/11/2018

A mobilidade e as plataformas digitais

 

Jurandir Fernandes

 

A mobilidade oferecida como um serviço integrado através de plataformas digitais e de aplicativos reforçará o papel social do transporte público. Cada vez mais as pessoas querem o serviço e não o equipamento. Querem a viagem e não o carro. No dia a dia, ao ir para o trabalho ou para a escola, cada vez mais preferem o transporte público, seja o individual (táxis, aplicativos) ou o coletivo: ônibus, metrô ou trem. Até mesmo para o lazer o comportamento das pessoas está mudando. Um ônibus com ar-condicionado, wi-fi e toalete a bordo é mais econômico, confortável e seguro que um carro. Posso dormir, ler e até admirar a paisagem. Tudo impossível de se fazer ao dirigir.

 

Ônibus de fretamento na zona sul de São Paulo. (Foto: Adamo Bazani)

 

As inovações em andamento, bem como sua importância num mundo em crescente urbanização, colocaram os transportes na agenda dos governantes, do público em geral, da indústria e do setor de serviços.  Neste cenário, os atores do setor (ônibus rodoviários e urbanos, fretados ou concessionários) precisam demonstrar que estão cientes de sua importância social e econômica e, principalmente, devem demonstrar que são capazes de se adaptar aos novos tempos. O setor deve liderar esse processo de inovação e não tentar impedi-lo.

A população, de posse de mais de 200 milhões de telefones inteligentes, certamente irá em busca de um transporte também inteligente. É óbvio! Os sistemas de fretamento e os rodoviários serão os próximos a serem absorvidos por aplicativos. Resta a esses setores optarem por desenvolver uma plataforma própria ou passar a prestar serviços a um novo player, como aconteceu com os táxis frente à “uberização” ocorrida sobre eles.

Em vez de ficar na retranca achando que o juiz vai apitar o final do jogo e que tudo continuará na mesma, é melhor partir para o ataque. A começar pela modernização da legislação vigente. Que seja adaptada aos novos tempos. É impossível parar a roda da história através de leis arcaicas. É impossível proibir a 200 milhões de brasileiros o uso do Netflix, do Spotify, do AirBnb, da Amazon e de não se comunicarem mais pelo WhatsApp ou Facebook. Não há mais locadoras de vídeos, são raros os que compram CDs musicais, as pessoas alugam quartos e apartamentos em todo o mundo, as livrarias estão definhando. O mundo dos negócios está se digitalizando e há quem pense que tudo não passa de modismo. Incrível!

O importante é começar e se aperfeiçoar com a participação dos seus usuários como faz o CittaMobi, o 99, o Cabify, o Uber, o Blablabla e tantos outros. É o modo start-up de inovar e de criar novos produtos e serviços que já está sendo adotado até pelos dinossauros do século XX: GE, Ford, IBM e tantos outros. Não fiquem dois ou três anos desenvolvendo o melhor dos aplicativos. Busquem a inovação e junto com os passageiros aprimorem a cada dia a sua proposta. Eles mostrarão o que é preciso melhorar, implementar, criar ou desenvolver.

 

 

Jurandir Fernandes é presidente da Divisão América Latina da Associação Internacional do Transporte Público (UITP) e coordenador do Conselho Assessor de Transporte e Mobilidade do Conselho Tecnológico do SEESP. Engenheiro pelo Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), mestre e doutor em Engenharia Elétrica pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), foi secretário dos Transportes de Campinas (SP), diretor de planejamento da Dersa, diretor do Departamento Nacional de Trânsito (Denatran), secretário Estadual de Transportes Metropolitanos de São Paulo, presidente da Associação Nacional de Transportes Públicos (ANTP)

 

Artigo escrito a pedido da Federação das Empresas de Transportes de Passageiros por Fretamento do Estado de São Paulo (Fresp)

 

 

 

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