GRCS

21/09/2018

Candidata ao Senado em defesa da classe trabalhadora e das mulheres

Deborah Moreira
Comunicação SEESP


Dra. Eliana Ferreira é advogada há 27 anos, formada pela Faculdade de Direito de São Bernardo do Campo, onde mora desde que nasceu. Aos 50 anos, filha de um servidor público que se tornou pedreiro e uma costureira, está em sua oitava pós-graduação. Candidata ao Senado Federal pelo PSTU, ela participou na última quinta-feira (20), na sede do SEESP, em São Paulo, do ciclo de debates promovido pela entidade - que democraticamente tem recebido os diversos candidatos (confira Agenda). Ao final da atividade, o presidente do sindicato, Murilo Pinheiro, entregou-lhe, como contribuição ao seu programa de governo, a nova edição do projeto "Cresce Brasil + Engenharia + Desenvolvimento", intitulada
 “Retomada da engenharia nacional”, iniciativa da Federação Nacional dos Engenheiros (FNE), à qual a entidade paulista é filiada.

 

Foto: Beatriz Arruda/Comunicação SEESP

eliana ferreira seesp internaA candidata ao Senado pelo PSTU, Dra Eliana Ferreira, durante debate no SEESP.

 

Ferreira contou que a decisão de se candidatar é um movimento natural, fruto de uma vida inteira dedicada aos trabalhadores. “Desde a minha formação abracei a luta da classe trabalhadora, das mulheres, do povo pobre, dos movimentos sociais e populares. Onde tem uma greve e uma ocupação, eu estou lá. Fui advogada dos estudantes da USP (Universidade de São Paulo) quando fizeram greve, por exemplo”, declarou a candidata, que trabalha desde os 12 anos. “Naquela época, com essa idade, podia ter carteira assinada”, lembrou a militante, que é advogada do Sindicato dos Metroviários de São Paulo, ao criticar as mudanças impostas pela reforma trabalhista (Lei 13.467/2017).

Além dos direitos trabalhistas, também defende a ampliação de dispositivos que reduzam os índices de violência contra a mulher e amplie a igualdade de gênero. Outra proposta dela é a suspensão do pagamento da dívida pública, como forma de garantir recursos para investimentos em prol da população. Também afirmou: “Sou a favor de discutir o fim do Senado, que tem uma finalidade revisora e muito pouco poder, tem poder de barganha financeira. Existem países com Legislativo unicameral. Será que a gente precisa mesmo de 500 e tanto deputados e mais 81 senadores para fazerem o que estão fazendo contra nós? Precisa de tantos inimigos assim juntos e gastando todo esse dinheiro? O cafezinho do Senado custa R$ 700 mil ao ano. E temos um museu que pegou fogo porque não tem esse orçamento anual para prevenção”, disse.

A advogada falou que uma das bandeiras de sua candidatura é a revogação imediata da reforma trabalhista. Ela vê com bastante preocupação a situação da Justiça do Trabalho, que está sendo esvaziada em função da nova lei, uma vez que essa impõe diversos obstáculos ao trabalhador que se sentir lesado e pretender ir à Justiça, como o pagamento de diversos itens do processo, caso perca a ação.

“Perdemos todos os direitos da noite para o dia e, pior, com a conivência de algumas centrais, que se esconderam e deixaram a gente fazer o enfrentamento sozinho. Fomos para Brasília, no dia 30 de abril de 2017, sozinhos, para a frente do Palácio, protestar”, lamentou, lembrando que o jargão da reforma que era gerar emprego caiu por terra, dado o aumento do número de trabalhadores fora de seus postos ou em empregos precarizados. Segundo ela, existem 32 milhões de pessoas nessa situação ou desempregados. 

Ela relatou que os advogados sérios do País estão atuando fortemente para evitar a perda de direitos no dia a dia. Em sua análise, “já perdemos muito”:  “Não se enganem. Estamos resistindo. Fechamos o último acordo coletivo dos metroviários, mas sabemos muito bem que eles estão esperando as eleições para tentarem bloquear as negociações.”

Ferreira também lembrou que a reforma da previdência pode sair da gaveta a qualquer momento e se posicionou contrária à Emenda Constitucinal 95, que impôs um teto de gastos públicos para os próximos 20 anos.  

Outra proposta da candidatura é a criação de conselhos populares semelhante ao que já existiu há alguns anos em estados como Rio Grande do Sul, com o Orçamento Participativo (OP), para que as decisões importantes para o País sejam tomadas a partir da participação de todos, como educação, saúde, moradia e mobilidade, levando informação e qualificando o debate. Os OPs existiram em alguns governos do PT como mecanismo governamental de participação dos cidadãos para influenciar sobre os orçamentos públicos, só que não havia caráter deliberativo, como Ferreira defende.

Por fim, completou que defende uma rebelião, não como as que se ouve sobre as cadeias. “A nossa rebelião é se indignar, ir às ruas, rebelar-se contra o sistema. A gente produz tudo. Se somos capazes de construir tudo o que está a nossa volta, somos capazes de também governar e desfrutar de nossas riquezas”, comentou.

Para ela, a população precisa se conscientizar que o objetivo da luta é pelo melhor, e não pelo menos pior. “Tenho que votar numa eleição pelo voto útil, no projeto menos pior? Eu acho que não. Temos que querer o melhor.”



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