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12/07/2018

Fazer obras adequadas ao meio ambiente e à saúde é nossa função, atesta engenheiro sanitarista

 

Jéssica Silva
Comunicação SEESP

 

Neste 13 de julho é comemorado o Dia do Engenheiro Sanitarista, o profissional atuante no controle sanitário do meio ambiente, na captação e distribuição de água, no tratamento de água e esgoto, no controle de poluição entre outras atribuições. Para Marcos Eduardo Gomes Cunha, é função do engenheiro sanitarista fazer obras adequadas às condições ambientais e de saúde. “É uma profissão voltada à saúde”, ele atesta.

 

Gomes é um dos 1.705 engenheiros sanitaristas do País, totalizando 8.465 se somados a modalidade conjunta de engenharia sanitária e ambiental. Associado ao SEESP desde 1994, ele está há 30 anos no ramo. Formou-se quando o curso ainda era nominado engenharia civil e sanitária, na Pontifícia Universidade Católica de Campinas (PUC-Campinas). Ele conta que se interessou pela área por ter justamente as mesmas atribuições do engenheiro civil, porém com o enfoque na questão do saneamento. “A única coisa que não posso construir são pontes e estradas, mas como sabia que isso eu não queria fazer mesmo, gostei do curso”, conta.

 

Como começou sua carreira de engenheiro sanitarista?

 

Comecei estagiando na companhia de saneamento de Campinas, a Sanasa (Sociedade de Abastecimento de Água e Saneamento S/A), concluí minha graduação em 1988. Depois fui para a agência ambiental do estado, a Cetesb (Companhia Ambiental do Estado de São Paulo), onde trabalhei por um certo tempo. Atuei logo em seguida na área de projetos de tratamento de água e efluentes industriais e sanitários, em uma empresa de consultoria. Voltei à Campinas para fazer meu mestrado, em 1993, e foi aí que abri minha própria empresa de consultoria em projetos, a Ciclo Ambiental, em que trabalho até hoje. Ampliei meu leque de atuação me especializando em sustentabilidade e na área de energia renovável. O profissional engenheiro sanitarista é muito voltado ao saneamento e licenciamento ambiental, mas isso não é um fator limitador porque existem mais demandas a este engenheiro, é possível escolher outros campos. Eu acabei escolhendo a área ambiental numa época em que não existia engenharia ambiental especificamente.

 

Na sua visão, qual é o papel do engenheiro sanitarista à sociedade?

 

O propósito principal do engenheiro sanitarista é levar saneamento à população. O Brasil carece ainda de saneamento, de água potável. Não temos nem 50% de tratamento de esgoto no País, ou seja, mais de 100 milhões de brasileiros não tem condições sanitárias adequadas. Esse é um desafio. Temos ligação também com a vigilância sanitária, da conformidade nos estabelecimentos, restaurantes, hospitais etc. É função do engenheiro sanitarista fazer obras adequadas às condições ambientais e de saúde ocupacional. É uma profissão voltada à saúde, porque saneamento é saúde. Este profissional vai além quando se volta ao meio ambiente, que também afeta a saúde da população. Se o meio ambiente não estiver adequado, equilibrado, a população sofre. Este é o olhar de engenheiro sanitarista que eu tenho. E é um desafio muito grande, porque ainda demandamos de infraestrutura e vemos deficiência em ambas as áreas de saneamento, saúde e meio ambiente. Nesta última, temos uma das melhores legislações do mundo e muito bem atualizada. Mas infelizmente aos poucos ela vem sendo inviabilizada, como recentemente quando o Congresso aprovou a retirada de licenciamento ambiental de várias atividades poluidoras. Isso é muito ruim ao meio ambiente e tira campo da nossa profissão.

 

Nesse sentido, qual sua visão sobre a Medida Provisória (MP 844/2018) que privatiza o setor de saneamento?

 

A revisão do marco regulatório do saneamento seria positiva se a condição de parceria público-privada fosse para melhorar, já que o governo alega não ter como investir. Mas não acho que se deve jogar tudo para a iniciativa privada. Porque infelizmente nossos empresários são gananciosos. Água é um bem essencial e temos que colocar iniciativas para investimento, mas regular de forma justa, para que as empresas não invistam somente nas regiões “filé mignon” e cobrando absurdos. Isso daria certo com uma agência reguladora federal, para fiscalizar. Se não, o empresário vai querer lucrar sem limites. Eu acredito que tem muitas companhias públicas boas, assim como tem muitas companhias privadas boas, mas elas estão soltas. Elas fazem o que elas querem.

 

Outro tema em constante debate é sobre o lixo. O descarte, a reutilização, são pontos ligados ao saneamento, ao meio ambiente. Qual sua visão sobre isso?

 

Essa é a minha especialidade, atuamos aqui no escritório com resíduos sólidos para energia. Nesse ponto posso dizer que estamos avançando, já vemos lá fora o que é feito. De uma forma geral quem detém a titularidade dos serviços de água, esgoto e resíduo urbano é o município. E aí que está o problema, muitos prefeitos não têm conscientização nenhuma. E não tem equipe técnica para desenvolver os serviços. Aí volto na importância do engenheiro sanitarista, ele é o profissional que tem essa conscientização para trabalhar no desenvolvimento de descarte adequado, de reutilização a ponto de se ter o aterro para o que chamamos de rejeito, que é apenas 10% do resíduo. Mas como tratar isso com municípios em que ainda há lixões? Em que o prefeito quer lucrar? Nesse sentido, o investimento em meio ambiente ainda é visto como um custo, não como uma questão de saúde. Isso também é um desafio para o engenheiro sanitarista, que deve atuar na conscientização de que tratar o meio ambiente não é um custo, é um benefício para a saúde da população, é um investimento que tem retorno.

 

 

 

Foto: Arquivo pessoal
Marcos Eduardo eng sanitarista

O engenheiro sanitarista Marcos Eduardo Gomes Cunha, há 30 anos na profissão. 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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