GRCS

04/06/2018

Do campo à cidade, a importância do engenheiro agrimensor

 

 

Nesta segunda-feira (4) é celebrado o Dia do Engenheiro Agrimensor. Segundo publicação no site do Conselho Federal de Engenharia e Agronomia (Confea), há cerca de 12 mil profissionais da modalidade registrados no País. Issis Maria da Trindade, 54 anos, compõe esse conjunto. Soteropolitana formada engenheira agrimensora no ano de 1987, logo após (em 1990) se deslocou para o Estado de São Paulo, onde começou sua carreira, trabalhando na Base Aerofotogrametria e Projetos, que, como conta, “faz mapeamento aéreo”. Em seguida, ingressou na Fundação Instituto de Terras do Estado de São Paulo (Itesp), onde atua há 25 anos e hoje é engenheira agrimensora no grupo de regularização fundiária da Gerência de Regularização e Cadastro.

 

 

 

Associada ao SEESP, diretora-1ª secretária da Associação Profissional dos Engenheiros Agrimensores no Estado de São Paulo (Apeaesp) e conselheira suplente da Câmara de Engenharia de Agrimensura do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia de São Paulo (Crea-SP), Trindade conta que sua militância pela profissão – cuja origem é muito antiga – vem desde os tempos de estudante. Nesta entrevista, fala sobre a importância dessa atuação, mercado de trabalho e esclarece sobre o papel do engenheiro agrimensor, cuja abrangência ainda é pouco conhecida.

 

 

Por que você escolheu a Engenharia de Agrimensura?

Tenho formação como técnica de edificações pela Escola Técnica Federal na Bahia, em Salvador. Eu queria fazer o curso superior e, nesse leque, em Engenharia Civil ou de Agrimensura. Naquela época, nos idos da década de 1980, quando saí do curso técnico, não havia muitas escolas. Em Salvador havia duas grandes públicas e uma particular. O problema é que eu precisava trabalhar, minha mãe era viúva. Tanto a universidade católica quanto essas públicas não me davam essa oportunidade, porque teria que estudar o dia inteiro. Então me direcionei à Faculdade de Engenharia de Agrimensura em Salvador, à época, uma das primeiras do Brasil, fundada na década de 1960, em que o curso era matutino.

 

A profissão era bastante nova?

Não. Sua origem é bastante antiga, sua formação remonta à época das cheias do Nilo, no Egito. O rio enchia e quando esvaziava, demarcavam as propriedades para fazer o cultivo. Assim se deu o começo da profissão.

 

Quando você começou na Engenharia de Agrimensura eram poucas mulheres?

Sim, e continua sendo uma área predominantemente masculina. Na minha turma devia ter umas quatro ou cinco mulheres. Em que pese que há alguns lugares no mundo, como Argentina, que têm cursos em que a mulher é maioria, no Brasil não é essa realidade. A gente percebe quando vai aos congressos e reuniões, isso é inerente à área da engenharia como um todo. Eu particularmente trabalhei na área de gerenciamento, não na operacional, então isso não me dá uma dimensão de como seria se eu tivesse ido operar equipamento no campo. Não tive nada gritante, não é nada aflorado, mas a gente sente a dificuldade de comandar equipes majoritariamente masculinas, há resistência.

 

 

Conte um pouco sobre sua trajetória profissional e o trabalho do Itesp?

Eu comecei em 1990. Fui para o Vale do Ribeira em que temos trabalhos de regularização fundiária, na época a gente chamava de titulação de terra devoluta. Encontravam-se bastante municípios e bairros, cidades inteiras oriundas de terra devoluta, então as equipes de campo iam para fazer medições, eu as coordenava. Do Vale do Ribeira fui para a região de Sorocaba e de lá para a sede em São Paulo, onde atualmente trabalho com projetos e projeção de custos para fins de convênios com municípios à regularização de suas terras já de acordo com a nova legislação. Acredito que deva ter uns 20 engenheiros agrimensores no Itesp, envolvidos nas três áreas em que o instituto atua: regularização fundiária, assentamentos de trabalhadores rurais sem terrae apoio às comunidades quilombolas. As instaladas em terras devolutas a gente já reconheceu, as em terras particulares o Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária) tem que desapropriar para o quilombo poder permanecer. A gente dá assistência técnica a essas comunidades.

 

 

O que faz um engenheiro agrimensor?

O leque é muito grande. Abrange gerenciamento de equipe de campo, para fazer levantamento topográfico e geodésico, e um grande campo hoje é a regularização fundiária, que é uma área multidisciplinar, envolve inclusive engenheiros civis. Na avaliação em perícia o engenheiro agrimensor também está envolvido e alguns enveredam para geoprocessamento.

 

Qual a situação do mercado de trabalho?

O mercado de engenharia sofreu um baque muito grande desde que a Lava-Jato começou a destruir as empresas nacionais, e isso reflete também para a gente. Quando um empreendimento vai começar, o primeiro profissional que entra é o engenheiro agrimensor, não só na questão de levantamentos, mas de saber a altimetria do empreendimento, a planimetria, onde as máquinas vão se posicionar, as peças, as vigas. Todo esse segmento, seja na infraestrutura – pontes,

estradas – ou na construção de prédios, está parado no País e o engenheiro agrimensor está encontrando dificuldades para trabalhar.

 

Sua atuação se dá tanto na área urbana quanto rural?

Sim. Tem por exemplo um segmento em que houve um grande boom, que é o georreferenciamento de imóveis rurais. Se você vai comprar, atualizar as medidas, você é obrigado a georreferenciar, através de equipamentos geodésicos que a gente chama de GNSS ou GPSs precisos, em que você levanta toda a propriedade rural. Quem faz isso é o engenheiro agrimensor.

 

A um estudante que está em dúvida sobre qual área seguir, qual a recomendação?

Se você gosta de geotecnologia, geoprocessamento, de estudar imagens de satélites e aéreas, de geoposição, o ramo certo é a engenharia de agrimensura.

 

Qual a importância do trabalho associativo para a profissão?

Eu sou militante da agrimensura desde estudante, faço parte da Apeaesp desde que cheguei em São Paulo. Se a gente não militar nas nossas entidades de classe, associações, Creas, sindicatos, não conquista a evolução do próprio curso e profissão.

 

Soraya Misleh/Comunicação SEESP

 

Foto: Site Apeaesp

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Comentários   

# Engenheiro AgrimensorMario Luiz Donato 06-06-2018 15:26
Parabéns ao SEESP pela lembrança e parabéns a nossa engenheira, representando todos os engenheiros agrimensores.
# Engenheiro agrimensorAnderson Esteves Nog 05-06-2018 13:14
Fico estarrecido ao ver uma profissional de destaque falar em uma entrevista de amplitude nacional da situação de mercado do Eng. Agrimensor colocando a culpa na lava jato o que chega ao cúmulo do ridículo pois não foi a lava jato que causou tudo isso mas a corrupção sistêmica e sempre continuará assim até que a corrupção acabe então a culpa é da CORRUPÇÃO que mata o país que mata o desenvolvimento que MATA a população.
Mas também há as entidades que deveriam preservar os profissionais como o CREA mas que não o fazem e geram uma especulação no mercado ao criarem cursos técnicos profissionaliza ntes para profissionais práticos que em muitas vezes não possuem o ensino fundamental completo mas fazem uma provinha da área e se se passam ganham o título de técnico em detrimento dos nobres colegas que precisam frequentar diariamente uma sala de aula.
O CREA que acaba com o mercado onde ampliou a atuação de outras engenharias como o engenheiro civil que hoje apesar de não ter mais que um mísero período de cadeia técnica da área da agrimensura pode atuar com todas as atribuições do Eng. Agrimensor. Pq o engenheiro Agrimensor não pode também atuar como Eng. Civil já que o civil não tem cadeia técnica do Agrimensor não precisa do Agrimensor também ter.
Quem estraga o mercado não é a Lava jato pois essa está fazendo um bem enorme ao país o que estraga o mercado é o CREA que se polítizou muito nos últimos anos afim de criar deputados.
Essa é a verdade.

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