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25/05/2018

Engenheiro de custos ao melhor gerenciamento de obras

 

Em comemoração ao Dia do Engenheiro de Custos, celebrado neste 27 de maio, o SEESP conversou com o presidente do Instituto Brasileiro de Engenharia de Custos (Ibec), Paulo Dias. Engenheiro civil formado pela Escola de Engenharia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) em 1975, tem especialização na área pela Universidade Federal Fluminense (UFF). Em 44 anos de profissão, compartilha sua experiência em sala de aula e continua seu aprendizado como engenheiro de custos. “Resolvi dedicar minha trajetória profissional ao estudo e desenvolvimento desse segmento, justamente por notar sua importância para o planejamento e a execução de obras bem feitos, pela dificuldade que empresas nacionais de engenharia enfrentavam por não dominarem essa técnica e pela necessidade que o País tinha à época de profissionais capacitados na área”, ressalta.

 

 Paulo Dias, presidente do Ibec.

 

O Ibec foi fundado em 1978 e é membro e representante do Brasil do Conselho Internacional de Engenharia de Custos (International Cost Engineering Council). Na visão de seu presidente, o profissional especialista na área é fundamental à melhoria da engenharia como um todo no Brasil. Segundo ele, pessoal qualificado ao exercício da função “contribui para o aperfeiçoamento da técnica e, por consequência, para o melhor gerenciamento do serviço, obra ou empreendimento público, diminuindo assim os riscos de embargos ou paralisações”.

 

O que te levou à escolha dessa área?

 

Sempre tive aptidão para os números e sempre entendi que o cálculo na engenharia é fundamental, assim como uma previsão de gastos bem elaborada desde o início da obra, o que propicia uma obra de qualidade, entregue no prazo e com uma estimativa bem próxima da realidade. No início da minha trajetória profissional, tive a oportunidade de desenvolver minhas habilidades no escritório, mas senti falta da vivência em obra e, a meu pedido, a construtora me transferiu para a gerência de obras. Ou seja, passei a acumular a residência de obras e a gerência do departamento de custos. Na prática, pude entender os processos e as interferências que uma obra pode sofrer e que influenciam no orçamento final. Acredito que tudo me levou à engenharia de custos, desde minha aptidão, passando pelas minhas percepções, até o desenvolvimento das técnicas e processos envolvidos nessa área; mas, sobretudo, o desejo de contribuir para que nosso país avance, tendo menos problemas no que diz respeito à gestão e execução de obras, sejam do setor privado ou da inciativa pública, e mais resultados positivos na engenharia nacional.

 

A Engenharia de Custos ainda é relativamente nova no mercado de trabalho. Qual é o papel dessa modalidade?

A Engenharia de Custos consta da Lei nº 5.194, de 24 de dezembro de 1966, que define as atribuições dos engenheiros. Entretanto, até pouco tempo atrás era praticada como arte, isto é, com pouca técnica, uma vez que não consta da grade curricular da graduação em engenharia. Seu papel é indispensável e preponderante, pois a prática da boa técnica da engenharia exige economicidade, o que é possível através dessa área de competência. Resolvi dedicar minha trajetória profissional ao estudo e desenvolvimento da engenharia de custos justamente por notar sua importância para um planejamento e execução de obras bem feitos, pela dificuldade que empresas nacionais de engenharia enfrentavam por não dominarem essa técnica e pela necessidade que o País tinha à época por profissionais capacitados na área.

 

Qual é a sua visão sobre a capacitação no segmento?

Hoje, o Brasil, principalmente no que diz respeito às obras públicas, continua carente de pessoal qualificado e com experiência na área. Minha dedicação é para que mais e mais profissionais que trabalham – ou queiram trabalhar – no setor sejam devidamente habilitados para essa função. Por isso, ministro cursos com esse teor há décadas e, desde 2001, já como presidente do Ibec, lançamos a pós-graduação em Engenharia de Custos, pioneira e a única. Desde então, com o título de MBA em Gestão e Engenharia de Custos, essa especialização forma centenas de profissionais por ano. Fato que me deixa muito contente por ter seguido na área e estar lutando pelo seu progresso e propagação e pelo seu reconhecimento não mais como arte, mas sim como ciência.

 

E qual é a atribuição desse profissional?

O profissional de custos é absolutamente preciso durante o desenvolvimento da obra, já que participa de todas as etapas, promovendo o uso consciente de cada um dos elementos e realizando a estimativa de custo e/ou orçamento. Isto é, trabalha ativamente com elaboração e validação de orçamentos e planejamento de custos do empreendimento para todas as fases da obra. É responsável por analisar e controlar seus custos, o que inclui aspectos como a concepção do projeto ou empreendimento, viabilidade técnico-econômica, análises, diagnósticos, prognósticos e tudo o que envolve estimar, planejar e projetar os números relativos às etapas de uma obra ou empreendimento.

 

Quais as habilidades/ qualificação necessárias para ser engenheiro de custos?

Sem dúvida, a dedicação, a técnica e a atualização profissional constante são fundamentais. O País precisa implantar a graduação em Engenharia de Custos, por isso, o Ibec está junto ao Ministério da Educação (MEC), pretendendo a liberação desse curso para 2019. De um modo geral, os profissionais ingressam na especialidade com pouco conhecimento técnico. O profissional da área precisa estar preparado para lidar diretamente com outras como a gestão de projetos, gestão de contratos, planejamento, licitação e gestão pública.

 

Qual é a importância desse profissional para a engenharia? E para o País?

Sem o custo da obra adequado ocorre o que estamos presenciando no País, diversas obras paralisadas ora por valores baixos, ora muito elevados. Torna-se evidente que a boa gestão dos custos se torna fundamental. Segundo dados de 2013 da Secretaria Nacional do Consumidor, 22% das reclamações na área de construção civil e habitação correspondiam ao descumprimento de contrato por parte das construtoras. Nesse cenário, a atividade do engenheiro de custos é fundamental para assegurar a viabilidade operacional e econômica da obra. Profissionais qualificados para o exercício da função contribuem para o aperfeiçoamento da técnica e, por consequência, para o melhor gerenciamento do serviço, obra ou empreendimento público, diminuindo assim os riscos de embargos ou paralisações. Se todas as esferas integrantes desse grande processo – privada, pública, fiscalizadora, sindical e sociedade – estiverem devidamente envolvidas, teremos um país que planeja, executa, fiscaliza e usufrui melhor seus recursos; colaborando, assim, para o desenvolvimento econômico e social do nosso Brasil.

 

Na sua visão, o que é ser um engenheiro de custos?

O engenheiro de custos deve ser organizado, detalhista, cauteloso, focado e comprometido com o projeto, pois precisará trabalhar horas seguidas em fechamentos de orçamentos etc.. Outra característica salutar de um bom profissional de custos é o interesse pela capacitação constante e atualização sobre inovações, artigos e pesquisas dessa área. Também é importante conhecer o suficiente para corroborar com outros especialistas temas complementares dessa atividade, como legislações de licitações, trabalhistas e fiscais, entre outros. Para mim, um engenheiro de custos completo precisa saber lidar com números, pois "o número é o princípio de todas as coisas", como já dizia Pitágoras. Saber lidar com os desafios da profissão e com situações adversas, mas, principalmente, com as pessoas, tendo sempre a ética e o respeito como base para a boa convivência, seja em um cargo de liderança ou não.

 

 

Jéssica Silva/Comunicação SEESP

 

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