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25/07/2017

Opinião - Engenheiras lutam pela inserção no mercado de trabalho

Marcellie Dessimoni e Jéssica Trindade*

A engenharia é vista ainda hoje como uma profissão majoritariamente masculina, porém gradativamente a participação feminina nos cursos vem aumentando, conforme pesquisa realizada em 2015 por Waldir Quadros, economista, especialista em economia do trabalho, professor aposentado da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).

Nunca se tornou tão visível a possibilidade em alavancar o enfrentamento das desigualdades sociais, culturais e econômicas em busca do empoderamento das mulheres sob o prisma de qualidade de vida baseado nos parâmetros internacionais no combate à discriminação, conforme citações da Organização das Nações da Unidas (ONU).

Empoderar mulheres e promover a equidade de gênero em todas as atividades sociais e da economia são garantias para o efetivo fortalecimento das economias, o impulsionamento dos negócios, a melhoria da qualidade de vida de mulheres, homens e crianças, e para o desenvolvimento sustentável. (ONU MULHERES, 2017)

Desde 8 de março de 1857, a constante luta da mulher por melhores condições de trabalho e pelo reconhecimento de suas atividades e habilidades continua sendo abordada e debatida em todo o mundo. Porém, ainda enxergamos dentro do mercado de trabalho inúmeros desafios a serem enfrentados, como a desvalorização  profissional, a desigualdade de oportunidades, a diferenciação salarial, o assédio moral velado – que é invisibilizado e atua como desencadeador de dores psicológicas ao profissional, entre outros, principalmente nas áreas tecnológicas como é o caso da engenharia.

Em todos os setores de atividades, o trabalho da mulher é inquestionável, destacando-se, no entanto, o primeiro lugar, os serviços domésticos (17% das mulheres ocupadas). O segundo lugar é dos serviços de educação, saúde e assistência social, empatado com o setor de comércio (16,8% das mulheres ocupadas em cada). No quarto lugar está a indústria de transformação (com 12,4% das mulheres ocupadas) e o quinto está com o setor rural (12,2% das mulheres ocupadas). (IBGE, PNAD, 2009, apud Dieese 2011).

O mercado exige da mulher o dobro de empenho, garra e dedicação para alcançar o mesmo espaço que os homens e ainda conciliar a vida pessoal e familiar com as diversas jornadas exercidas no dia a dia, onde o seu par não foi educado e preparado para exercer a responsabilidade compartilhada nas atividades domésticas. Essa é uma concorrência desleal.

A jovem mulher atual sofre desde o ingresso na universidade onde o preconceito é muito sutil podendo passar despercebido, em sua maioria vem em forma de assédio, assim como o ingresso no mundo do trabalho que ocorre de maneira discriminatória marcada por tendências instintivas de que a mulher não tem habilidades e competências necessárias para se inserir neste mercado, não sendo vista como profissional capaz de solucionar problemas técnicos ou realizar serviços de produção pesada. Esta concepção machista está presente no cotidiano educacional das crianças que separa meninas e meninos nas atividades de estimulação cognitiva cerebral, onde o sexo masculino desenvolve brincadeiras voltadas a criação e ciências exatas e o sexo feminino realiza recreação voltada aos cuidados do lar e da ciência humana.

O Núcleo Jovem Engenheiro do SEESP recebe inúmeros depoimentos de jovens engenheiras que são discriminadas e que não são respeitadas pelos próprios pares “colegas de profissão” como profissionais pelo fato de serem mulheres, no entanto é através do trabalho digno e de qualidade que inúmeras engenheiras avançam quebrando paradigmas e conquistando espaços importantes e cargos de gerencia em suas áreas é uma conquista que deve ser valorizada, apoiada e principalmente estimulada para que todas as mulheres engenheiras do Brasil tenham a mesma oportunidade em mostrar a sua competência, conhecimentos e habilidades dentro da área tecnológica.

Cito como exemplo um caso que tomamos conhecimento de uma  estudante de engenharia mecânica, que ao realizar sua atividade de estágio e visitas técnicas passou por algumas situações desagradáveis e constrangedoras, quando seus futuros colegas de profissão comentaram que pelo fato de ser mulher não serviria para realizar a função de engenheira mecânica e inclusive ressaltaram que ela estava com unhas pintadas e que não possuía mãos de engenheira mecânica, na visão deles a acadêmica deveria estar com roupas sujas de graxa, com mão calejada e totalmente desarrumada para que ela se encaixasse no suposto perfil criado pelo preconceito e pelo machismo enraizado na sociedade.

Acreditamos que cenários como este acontecem a todo o momento, porém as mulheres cada vez mais empoderadas compreendem o seu valor e buscam ultrapassar os desafios impostos por este modelo social. Percebemos que não existem barreiras ou obstáculos que não possam ser ultrapassados, através da dedicação, esforço e muito trabalho, nossos objetivos serão alcançados. O lugar da mulher é onde ela quiser e a engenharia é o nosso lugar! A engenharia do século XXI se diferencia pela participação feminina trazendo uma visão holística e periférica dentro do contexto global.

 

Marcellie Dessimoni (à dir.), engenheira Ambiental e Sanitarista e coordenadora do  Núcleo Jovem Engenheiro da FNE; e Jéssica Trindade, estagiária do Núcleo Jovem do SEESP e estudante do curso de engenharia mecânica

 

 

 

 

 

 

 

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Comentários   

# 2 ExemplosSérgio Granato 26-07-2017 17:23
A Marcellie e a Jéssica estão de parabéns, são dois exemplos de competência e ética profissional.

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