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27/10/2016

Juros reais estão maiores, afirmam economistas

Dia 19, após quatro anos, o governo reduziu a taxa básica de juros (Selic), de 14,25 para 14%. Ao saudar a medida, a imprensa omitiu que, na prática, a taxa real de juros vai subir, em vez de cair. Simples: a inflação acumulada de 12 meses estava em 9,62%, mas deve fechar em novembro perto de 8,5 ou 8,6% - com viés de baixa. Portanto, a inflação cai um ponto de uma base de 9,62%. Já a Selic cai 0,25 de uma base de 14,25%. A redução de 0,25% vem a ser ¼ do 1 ponto reduzido da inflação.

A Agência Sindical ouviu Pedro Afonso Gomes, presidente do Sindicato dos Economistas do Estado de São Paulo. “De fato, se feita a conta com base na Selic, se verifica aumento na taxa real de juros”, ele diz. Pedro Afonso reafirma que o Brasil “pratica o juro real mais alto do mundo, num momento em que há países onde o juro é de 1% ao ano ou até negativo”.

Segundo o dirigente dos Economistas, os bancos, há pouco mais de um ano, vêm subindo a taxa de juros dos empréstimos, tornando mais caro o custo do crédito. “Não tenho o índice redondo. Mas, em 12 meses, o aumento na taxa foi em torno de 10%”. Esse aumento, de certa forma, se explica pelo aumento da inadimplência, que, segundo Pedro Afonso, “subiu, mas em patamares inferiores ao aumento adotado pelos bancos”.

Dieese - Rodolfo Viana, economista responsável pela subseção do Dieese no Sindicato dos Metalúrgicos de Guarulhos e Região, também confirma a alta dos juros. E aponta: “Como a inflação tem viés de baixa, caminhando para o centro da meta, o juro real – considerada a diferença entre Selic e índice inflacionário – crescerá ainda mais”.

O economista aponta impactos no custo de vida. Rodolfo Viana diz: “Agora, no final do ano, quando o trabalhador tende a consumir mais e adquirir bens, a prazo, comprará mercadorias com os juros já embutidos nas prestações. Juros mais altos”.

Rodolfo Viana também aponta retrocessos na política de crédito. “Nos governos Lula e Dilma, Banco do Brasil e Caixa praticavam juros mais baixos, facilitando o crédito e o fomento. Essa postura também obrigava bancos comerciais a baixar suas taxas. Agora, se nivelou tudo e os bancos estatais praticam taxas iguais ou acima das adotadas por instituições privadas”, afirma.

 

 

Comunicação SEESP
Notícia reproduzida da Agência Sindical

 

 

 

 

 

 

 

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