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19/01/2017

Artigo - Emprego em 2017 - Parte 1

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A atividade econômica para 2017 não apresenta bons prognósticos para o emprego no Brasil. A economia andará de lado e, a depender dos desdobramentos das delações na Operação Lava Jato, a crise política congelará os mercados. O que esperar então para o emprego em 2017?

O ano começa com a taxa de desemprego muito alta, perto de 12%, segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), com mais de 12 milhões de desocupados. Houve aumento da informalidade, redução do assalariamento com Carteira, crescimento do número de trabalhadores sem registro e do trabalho autônomo sem contribuição previdenciária, além de queda dos salários, com repercussão negativa na massa salarial. Deprime-se assim a demanda de consumo das famílias, travando a produção e contribuindo para o segundo ano de queda do PIB – estimativa de -3,5% para 2016.

No primeiro semestre, o desemprego deve continuar subindo, em decorrência do fechamento de postos de trabalho e, talvez, do aumento da procura. Por exemplo, o comércio deverá desempregar aqueles que contratou temporariamente no final do ano. Diferentemente dos anos de crescimento, quando as contratações temporárias foram usadas para selecionar parte da força de trabalho que permaneceria para o ano seguinte, agora poderá haver rotatividade, com demissão e redução dos salários no setor. O mesmo ocorrerá com o setor de serviços, vinculado ao turismo. São muitas as situações em que esse tipo de comportamento poderá ser visto.

O primeiro semestre deste ano será marcado por aumento da informalidade e precarização.

A população que procura trabalho tem se reduzido. A crise e os obstáculos para a procura de emprego têm levado ao aumento do desalento (pessoas que precisam, mas deixam de buscar ocupação), assim como muitos devem estar retardando a entrada no mercado de trabalho. Esses fenômenos impedem a taxa de desemprego de crescer ainda mais.

O desemprego afeta o orçamento das famílias e a condição de vida dos trabalhadores. É de se esperar que, aos primeiros sinais de recuperação, observem-se as quilométricas filas de desempregados disputando raros postos de trabalho. Essas pessoas passarão a se incorporar ao exército de desempregados, serão identificadas nas pesquisas e aumentarão as taxas de desemprego, mesmo em um momento de geração de postos de trabalho.

Quando a economia chegar ao fundo do poço, derrotada pela queda da demanda e as extorsivas taxas de juros, será possível saber para qual patamar a atividade econômica foi reduzida. Esse será o novo piso a partir do qual o crescimento poderá ser retomado, a depender dos estímulos da demanda interna e externa. Mas não se deve esperar nada espetacular.

Com o eventual reaquecimento da economia, as empresas ocuparão a alta capacidade ociosa existente, com aumento das horas extras. A abertura de um posto de trabalho exige a confiança de que a demanda se sustentará e isso ficará para 2018/2019.

Os postos de trabalho passaram por uma queda livre. Já a redução do desemprego, com a oferta de postos de trabalho, quando vier, será uma escada íngreme e com altos degraus, subida lenta e difícil.

Talvez somente no segundo semestre de 2018, as altíssimas taxas parem de crescer ou apresentem alguma redução, ainda que discreta, dando refresco aos trabalhadores.

Considerando 2014/2015 o ano de início da crise e, diante da recessão, para o País voltar aos patamares de crescimento, de emprego e de renda de 2013, será um percurso de década, de dificílima travessia até 2025. Vale destacar que essa não é uma visão prospectiva pessimista.

* Clemente Ganz Lúcio é sociólogo, diretor técnico do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) e membro do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social (CDES)

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