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16/05/2016

Explicando a realidade aumentada e a virtual

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O Tecnoblog entrevistou o professor Antonio Carlos Sementille, especialista em realidade virtual e realidade aumentada. Ele é professor adjunto do Departamento de Computação da Faculdade de Ciências da Universidade Estadual Paulista (Unesp). Ele vai explicar as inúmeras utilidades dos gadgets que estão surgindo, em áreas como medicina, engenharia e educação e as tecnologias que mexem com a realidade aumentada e a virtual. A seguir, publicamos trechos da entrevista, que pode ser acessada no link ao final desta página.


Foto: Tecnoblog
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 Sementille: "Na realidade aumentada, a ideia é aumentar a realidade com informações adicionais
devidamente alinhadas com a visão do usuário e do mundo real. Esse é o objetivo."
 

Tecnoblog — Quais são as diferenças práticas entre a realidade virtual e aumentada?
Antônio Carlos Sementille — Essas duas áreas de pesquisa são complementares. A realidade virtual (RV) consiste em você criar um ambiente totalmente gerado pelo computador, 100% virtual. O usuário pode interagir com esse ambiente, e o ideal seria que ele emergisse nele; ou seja, tudo que ele veria ali seria gerado por computador.

É muito comum usar capacetes de realidade virtual, para justamente o usuário não ver mais o mundo real. As aplicações, do ponto de vista da interação com o usuário, ficariam um pouco mais complexas. Como ele não está vendo o mundo real, como é que ele vai interagir com os objetos? Por isso, usa-se luvas que capturam a posição das mãos e dos dedos, sensores que verificam onde está a posição da cabeça do usuário para ajustar a imagem que ele está vendo etc..

Além da imersão, da interação do usuário, outro problema na realidade virtual é o envolvimento do usuário. É importante que a aplicação convença o usuário de que aquilo ele está vendo é real. Um exemplo muito comum das aplicações de RV são os jogos digitais. Os games de hoje, em grande parte, são considerados como aplicações da realidade virtual. Só que a maioria deles é o que a gente considera como não imersivo, ou seja, você joga olhando para a tela do computador e continua vendo o mundo real em volta.

No caso da realidade aumentada (RA), o usuário continua vendo o mundo real, complementado de alguns elementos virtuais. De repente, eu olho para um motor real de automóvel e vejo o interior dele com as válvulas se mexendo e a explosão acontecendo, por exemplo, mas eu continuo vendo o mundo real.

Ou eu olho para uma pessoa e vejo informações sobre ela, quem ela é, que escolaridade ela tem, etc. Na realidade aumentada, a ideia é aumentar a realidade com informações adicionais devidamente alinhadas com a visão do usuário e do mundo real. Esse é o objetivo. Também, de certa forma, iludir os sentidos humanos, mas é uma ilusão mais tênue porque o usuário continua vendo o mundo real.

Por isso que eu acredito que, daqui pra frente, será muito mais comum as aplicações móveis de realidade aumentada. Você sai por aí vendo o mundo real, complementado das informações virtuais.

Tecnoblog — E a realidade virtual, também tem aplicação na medicina?
Sementille — Sim, sim. Primeiramente ela foi usada no ensino, na propaganda, na medicina, os games. Na medicina, a ideia é a simulação. Você não está vendo o mundo real, e sim um mundo simulado, então você pode simular procedimentos médicos. Existem equipamentos já antigos que simulam o uso equipamentos médicos, como uma seringa ou um bisturi.

Existem também os equipamentos hápticos que criam uma sensação de força contrária para o usuário, dando uma espécie de feedback. Por exemplo: ele está usando um capacete e vendo o corpo humano, vendo o que ele deve fazer numa punção. Ao segurar um equipamento desse tipo, ele sente uma força contrária à medida que ele está interagindo com um modelo virtual. Isso para treinamento — não dá pra fazer isso com um paciente real.

Tecnoblog — A realidade virtual pode ser usada até para gerar mais empatia nas pessoas. Pesquisadores conseguem simular condições como surdez ou enxaqueca, por exemplo.
Sementille — Justamente, isso é possível. Auxílio no tratamento de fobias, também. Pra uma pessoa que tem fobia de avião, por exemplo, simula-se que ele está dentro de um avião. É claro que seria melhor se todo um aparato fosse criado para sacudir a cadeira, por exemplo. Mas isso não é novo.

Também dá pra tratar aracnofobia, também. Você cria umas aranhas virtuais. E nisso até a realidade aumentada é melhor, porque o usuário continuaria vendo o mundo real, como uma mesa em que aranhas estão subindo nela e indo para a pessoa. Você teria um grau de convencimento maior com aplicações de RA do que com RV. Tem desenvolvimento nessa área também.

A realidade aumentada já é usada há mais de uma década com caças. São projetadas no cockpit do caça informações para o piloto. Também existem capacetes de RA para os pilotos há muito mais tempo, só que eles custavam US$ 250 mil. É claro, não se compara com o valor do avião.

Tecnoblog — E as aplicações fora da medicina?
Sementille — Na área do marketing, foi desenvolvida uma aplicação recente usando o Kinect, por exemplo, que captura-se o corpo de uma pessoa e ela pode ir trocando a vestimenta, adaptada ao corpo. Dá pra criar aplicações em que você navega dentro de um apartamento virtual antes dele ser construído, por exemplo.

No caso da educação, tem aplicações diversas, porque aí você não precisaria ter laboratórios de física ou química, você poderia simular isso pelo computador.

Na engenharia, o pessoal também usa bastante. Você pode acompanhar o desenvolvimento de uma obra apontando o tablet ou usando capacete e vendo já o prédio virtual como ficaria, ou naquele estágio da construção, onde ele deveria estar e como ele está agora.

Além de implementar manuais de carros, o pessoal da indústria mobilística usa a realidade virtual e aumentada na área de design de produtos também. Para mudar o painel de um carro, por exemplo, dá pra mexer por RV, ampliando e entrando dentro do painel. Mas tudo vai ser virtualizado.

No caso da realidade aumentada, a pessoa pode entrar no automóvel real e enxergar um novo painel ali. Ela pode mudar isso para deixar mais bonito, ergonômico, dentro de um carro real. Isso é interessantíssimo, porque eu preciso contrastar o real com o virtual, será que fica bom num carro de verdade?

Antigamente, você tinha que fazer um protótipo em escala, às vezes até natural para ter essa ideia. Hoje não, você pode lidar com modelos virtuais. Antigamente era só na tela do computador, agora existe uma visão projetada.

O grande problema é desenvolver aplicações para esse tipo de equipamento. É claro que isso vai se tornar cada vez mais frequente com a popularização do equipamento.

Tecnoblog — E o que esperar para o futuro das realidades aumentada e virtual?
Sementille — Temos que aguardar os próximos lançamentos da indústria, porque a popularização vem sempre pela indústria. O trabalho da academia com a indústria.

Eu aguardo com expectativa o aparecimento de novos equipamentos e novos SDKs que permitam o desenvolvimento de aplicações para RA. A plataforma pode ser mobile, tablet, HoloLens, e outros. Mas o problema é: como desenvolver aplicações rapidamente, e com qualidade, para esses equipamentos?

As fabricantes devem oferecer também alternativas para o desenvolvimento. Por exemplo, no caso do HoloLens eles utilizam bastante uma plataforma de games chamada Unity 3D, ambiente gráfico feito primeiramente para games mas hoje está sendo usado para simulações e experimentos científicos.

Alguém que já aprende o Unity também tem capacidade para criar aplicações para o HoloLens, por exemplo, porque ela conhece a plataforma gráfica de desenvolvimento. E o HoloLens é mais uma forma de exibir isso. Poderia ser na tela do computador, mas está sendo diante do olhar do usuário.

 

 

Fonte: Tecnoblog. Para ler a entrevista na íntegra clique aqui.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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Comentários   

# Diferença entre realidades virtuais e aumentadasM. Oliveira 10-05-2017 10:49
Muito interessante este artigo, agora sei o que a realidade aumentada e a realidade virtual, artigo simples e de fácil compreensão, muito bom meu site
# Diferença entre realidade aumentada e virtualBarcellos 04-01-2017 11:07
Muto bem explicado as diferenças entre as realidades, sou leigo no assunto mas depois de ler este artigo por várias vezes consegui entender a diferença entre as duas realidades, tanto a aumentada como a virtual.
# Realidade aumentada e virtualLarissa D 04-01-2017 10:35
Confesso que antes de ler este artigo eu simplesmente não sabia diferenciar a realidade aumentada para a virtual, muito bem explicado, parabéns ao escritor meu site aqui

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