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11/12/2015

Ladislau Dowbor aponta "caminhos para um País que queremos"

Duraram poucos minutos a pilha do documento “Resgatando o potencial financeiro do Brasil”, deixada em uma cadeira, ao lado da mesa do auditório, feito pelo economista Ladislau Dowbor, que proferiu a Conferência “Caminhos para o País que queremos", no segundo dia de atividades do 3º Encontro Nacional da Confederação Nacional dos Trabalhadores Liberais Universitários Regulamentados (CNTU), na tarde de quinta-feira (10/12). Muito aplaudido, o especialista concluiu sua fala ressaltando a importância em equacionar as questões ambiental, social e econômica.

 

Foto: Beatriz Arrruda/Imprensa SEESP
ladislau dowbor Larg 600

 

Dentre os diversos aspectos apontados na análise, publicada pela Friedrich-Ebert-Stiffung, também disponível em versão digital, no site do professor da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), Dowbor abordou a dimensão internacional, contextualizando as dificuldades brasileiras atuais no cenário mundial, lamentando que o que ele chamou de “quatro motores que movem o país” estão com dificuldade de se movimentar, que são: demanda, ou renda domiciliar liquida, que é o quanto de recursos as famílias possuem, descontadas suas dívidas; investimentos privados (empresários), que estão limitados por conta do juros altos e consequente falta de investimento do setor produtivo por conta da usura das instituições financeiras e do capital especulativo;  investimento público, quanto os governos são capazes de investir em infraestrutura e politicas sociais; e exportações,  que sofrem com um cenário de crise em diversos países, com petróleo, soja e ferro em queda.

“O País sofreu um processo distributivo, a partir deste século, e final do passado, em que os pobres passaram a consumir. No entanto  há um endividamento desse cidadão que passou a comprar muito a prazo, pagando muito mais pelos produtos”, observou ele, lembrando que nos últimos 10 anos esse e endividamento mais que dobrou – de 19,3% da renda das famílias iam para pagar dívida, em 2005, para 46,5%, em março de 2015.

Dentre todos os problemas que afetam as populações no mundo, para Ladislau Dowbor, que já trabalhou em diversos países tanto desenvolvidos, quanto em desenvolvimento, sua maior preocupação é como assegurar o interesse público, dos cidadãos, como se organizarão para que suas demandas sejam incluídas nos processos decisórios,  diante de tanta pressão das corporações. “Não há democracia de graça. Se as pessoas não se organizam para que haja transparência, sistemas de rodízios para garantir equilíbrio político, não dará certo (a organização social). Nosso problema não é econômico, mas sim como usamos esses recursos e distribuímos”, avalia.

Com ironia, citou a hipocrisia social ao lembrar sobre o atual movimento contra a corrupção dos políticos. “Quando alguém aponta essa corrupção, a primeira coisa que faço é olhar para quem está apontando. Quanto de sonegação de impostos  há cometida pelo cidadão comum? No Brasil, comprar um deputado para que ele vote de uma maneira determinada em uma lei é corrupção, mas comprar um deputado por quatro anos, financiando sua eleição, isso é legal. Desde 1997 (com a lei eleitoral) é legal”, completou.

Sempre com uma preocupação em explicar sua visão que, como ele observou, é tida como “pessimista”, tratou logo de ir direto ao ponto:  “O grande problema e eixo central da minha fala é o que chamamos de governança, ou quais articulações devem ser feitas para que a maquina funcione. Fiesp não é governo mas tem um peso. O MST não governo mas têm peso também”.

Ao final, pontuou que este é um ano chave para a humanidade, quando diversas cúpulas mundiais ocorrem e com chances reais de acordos para buscar alternativas aos dramas ambientais e sociais. “Não adianta construir mais muros na fronteira do México e Estados Unidos, mais muros entre Israel e Palestina ou criar barreiras no Mar Mediterrâneo entre África e Europa. Por que? Já não há mais pobres como antigamente”, afirmou, referindo-se a consciência que existe hoje sobre os direitos humanos de cada um. “Todo e qualquer pobre hoje, de qualquer parte do planeta, sabe quais direitos ele tem e também de sua mulher, que tem o direito de parir em um hospital decente, que seu filho frequente uma escola decente etc. Ou a gente começa a responder a essa necessidade ou isso aqui vai para o brejo”.

A mesa foi mediada pelos trabalhadores universitários Odilon Guedes, do Sindicato dos Economistas no Estado de São Paulo (Sindecon-SP) e Zaida Melo Diniz, da Federação Interestadual dos Nutricionistas (Febran). Na abertura, Guedes frisou a importância do trabalho de Dawbor, aconselhando todas as confederações e sindicatos a procurarem o documento “Resgatando o potencial financeiro do Brasil” e reproduzirem em seus meios. Já a nutricionista encerrou com uma fala emocionada sobre a importância da troca de experiências entre os profissionais em eventos como o 3º Encontro Nacional da CNTU, com a presença de especialistas como Ladislau Dowbor: “São pessoas do seu porte que faz uma entidade como a nossa, crescer mais e mais. Fica o nosso muito obrigada, por mim e por toda a diretoria da CNTU”.



Deborah Moreira
Imprensa SEESP





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