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Especialistas apontam áreas estratégicas para qualificação profissional Imprimir E-mail

 

A Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI) promoveu, na última semana, debates dentro do projeto "Talentos para Inovação"

       A indústria brasileira ainda investe pouco em pesquisa e precisa aproximar a academia das empresas. As conclusões permearam os debates da reunião do Projeto Talentos para Inovação realizada na última terça-feira (13/7), em Brasília.
       A iniciativa da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI) começou em 2006 e ao longo dos quatro anos do projeto foram feitos workshops com representantes da comunidade científica e tecnológica das áreas de Engenharia, Física, Matemática, Química e empresários para discutir, entre outros assuntos, estratégias de formação de recursos humanos e organização da pesquisa.
       "Percebemos que há no Brasil um cenário promissor para intensificar a qualificação profissional em setores estratégicos como engenharias, aeronáutica, naval, nuclear, minas e energia, petróleo e agroenergia, além de indústrias nascentes como bioindústria, nanotecnologia e equipamentos médico-hospitalares", apontou o assessor do Centro de Gestão e Estudos Estratégicos (CGEE), Evando Mirra, que foi gerente de Tecnologia e Inovação da ABDI.
       Para o vice-presidente da Sociedade Brasileira de Física, Ronald Shellard, é preciso criar uma entidade voltada especificamente para a tecnologia industrial. Ele sugeriu usar o molde da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), que é referência internacional.
       "O calcanhar de Aquiles da ciência brasileira são os institutos de pesquisa. A deficiência na infraestrutura dessas unidades é um gargalo para o desenvolvimento e a inovação", destacou.
       O problema, segundo ele, começa na formação de estudantes do ensino médio que tem pouca noção sobre a área de ciências e se estende até o nível da pós-graduação. Shellard aponta que os alunos de pós-doutorado deveriam ser empregados e não estudantes bolsistas. "É necessário treiná-los para o mercado que, por sua vez, precisa ter postos de trabalho para pesquisadores."
       A dificuldade dos recém-formados em ingressar no mercado também foi abordada pelo membro do Conselho Diretor da Sociedade Brasileira de Matemática Enaldo Vergasta. "Há muita insegurança do estudante de Exatas quanto à sua atuação profissional. Por isso, grande parte opta pela licenciatura. É preciso abrir uma oportunidade mais concreta de emprego", opinou.
       Para solucionar o problema, ele sugeriu a criação de um curso de matemática industrial e grupos de pesquisa para atender aos interesses das cadeias produtivas.
       Durante o encontro, o professor Oswaldo Alves, do Instituto de Química da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), refletiu sobre as lições aprendidas no projeto. Para ele, a formação profissional tem impacto significante na vida do país. Para se ter ideia, nas nações desenvolvidas a inovação contribui com mais de 50% do Produto Nacional Bruto (PNB).
       "Uma nova agenda para a qualificação de pessoas deve ter foco na política industrial e na formação de profissionais para atender as demandas das cadeias produtivas. Isso inclui a revisão de currículos dos cursos de graduação e pós", disse Alves.
       Alguns mitos na relação academia e setor produtivo, em sua opinião, também precisam ser ultrapassados. Entre eles, a falsa ideia de que a indústria não faz pesquisa porque não sabe e a dificuldade do acadêmico em compreender que o lucro faz parte da atividade industrial.

 

ABDI
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